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segunda-feira, 23 de abril de 2012

Pierre Levegh

Ele tinha tudo para ter passado para a história pelo seu talento, mas infelizmente, ficou como o protagonista do pior acidente da história do automobilismo;
Pierre Levegh nasceu Pierre Eugène Alfred Bouillin, em 22 de dezembro de 1905, em Paris, França

Pierre Levegh

Adotou o nome Levegh em homenagem o tio, pioneiro das corridas, que morreu em um acidente em 1904, um ano antes de seu nascimento;Além de piloto,Levegh também  jogou hockey no gelo e tênis; Mas os carros foram sua grande paixão, e na 1° temporada de F1, em 1950, começou a competir com um Talbot-Lago; A essa época, a mítica prova das 24 hs de Le Mans estava no calendário juntamente com a F-1; com o Talbot, Levegh foi 14° na prova de 1951 e em 1952 abandonou por quebra; em 1953 foi 18° e em 1954 se envolveu em uma batida após 17 horas de corrida;
Mas 1955 prometia; Levegh iria pilotar a maior máquina da época, a Mercedes Benz 300SLR; a versão carenada da W-196 de F-1


A mítica Mercedes 300 SLR de 1955

As 24 hs de LeMans de 1955 tinha tudo para ser uma prova excepcional, com um embate entre a inglesa Jaguar, a italiana Ferrari e a alemã Mercedes, as 3 com seus modelos mais emblemáticos de todos os tempos (pela ordem): D-Type,121 LM e 300 SLR.
A Jaguar tinha como pilotos, o inglês Mike Hawthorn e o novato Ivor Bueb; a Ferrari o grande piloto italiano Eugênio Castellotti,e o americano Phill Hill; a Mercedes trouxe dois carros; um para a dupla Juan Manuel Fangio(ARG) e Stirling Moss(GBR);os maiores pilotos da época e dois dos maiores de todos os tempos; e um para a dupla Jonh Fitch (EUA) e Pierre Levegh.
com 49 anos Levegh via uma chance para se  tornar vitorioso: tinha simplesmente o melhor carro de todos, para quem em 1952 conduziu seu Talbot por 22 horas seguidas sem troca de pilotos e quebrou justamente em 1° lugar, uma vitória era mais que possivel;

As 16 hs do sábado, dia 11 de junho de 1955, começa a prova: Castellotti e sua Ferrari largam em 1°; Fangio e Hawthorn imprimem um ritmo alucinante: chegam a rasgar a grande reta Hunaudières a 300 km/h; mais que uma disputa automobilistica, era uma disputa incurada da 2°Guerra Mundial; Hawthorn estava decidido a impedir que um carro alemão ganhasse de um carro inglês.


Castellotti com a Ferrari n°4, seguido de Hawthorn no Jaguar n°6 e Fangio na Mercedes n°16


Duas horas e meia de prova, volta n°34: Hawthorn está em 1°, seguido de Fangio em sua Mercedes, O Jaguar n°6 está próximo de fazer seu 1° pit stop; Hawthorn decide pisar o máximo que pode para abrir uma vantagem que o permita voltar dos boxes ainda na briga pelo 1° lugar, (algo desnecessário em uma prova com 24 hs de duração);
Ele acelera seu Jaguar ao máximo, e a 100 metros dos boxes, se valendo dos poderosos freios a disco da Girlling, freia repentinamente;Mas havia um detalhe que Hawthorn não considerou:para esta manobra ele ultrapassou um carro mais lento, um Austin-Healey A-100 de  categoria menor(em Le Mans, disputam-se várias classes de automóveis ao mesmo tempo); O Austin guiado por Lance Macklin estava a no máximo 180 km/h e viu a traseira do D-Type crescer a sua frente; sem conseguir frear e para desviar do Jaguar, joga para sua esquerda; apontam as 2 Mercedes na reta a 260 km/h : Levegh que estava levando uma volta dos lideres vinha a frente e Fangio logo atrás; Levegh não consegue desviar do Austin e decola sobre sua traseira: a Mercedes voa sobre a arquibancada;capota inumeras vezes e explode; seus destroços em chamas matam Levegh(que teve o crânio fraturado) e mais 87 espectadores; 79 pessoas ficam feridas; corpos em chamas voam  para a pista diante de fiscais e mecânicos aterrorizados;
Há pânico generalizado; muitos correm para as saidas da arquibancada e morrem pisoteados;
o corpo de Levegh foi achado a 70 metros de onde parou o que sobrou do 300 SLR; o clima no autodrómo é horrendo; Mas o diretor de prova Charles Faroux, na decisão mais criticada e condenada da história, decide que a prova vai proseguir; Alfred Neubauer, o emblemático chefe de equipe da Mercedes vai até os boxes da Jaguar;Em um ato de cavalheiro, diz que vai se retirar da prova e solicita o mesmo ;No entanto,a equipe inglesa decide continuar na prova e vence com Hawthorn; no podio,ele bebe a champagne da vitória,ato que revoltou a França; porém nos boxes, a realidade cai: ele tem uma crise de histeria e diz que não quer pilotar mais; Após a prova,os 4 GPS seguintes são cancelados,incluindo o da Suiça, que baniu as provas de automobilismo para sempre de seu território; A Mercedes Benz se retira das competições para retornar somente 40 anos depois;
Ninguém foi responsabilizado pelo acidente de fato; De modo covarde, alguns insinuaram a culpa para Levegh, que morto não teria defesa.... e assim o "Bispo", como Levegh era conhecido, entrou para a historia; não por sua conduta sempre suave e gentil, não por seu talento, mas por ter se envolvido na maior trágedia já ocorrida nas pistas.


Vídeo com raras imagens da tragédia de Le Mans 1955




A tragédia vista de outro ângulo





domingo, 12 de fevereiro de 2012

Peter Brock

A Austrália é quase um continente a parte; seja por sua dimensão territorial, seja por sua geografia única, sua natureza ímpar; Assim,o automobilismo por lá também segue esta regra;
De lá surgiram grandes campeões como Jack Brabham,Dennis Hulme( neo-zelandês,mas que começou a carreira por lá),Alan Jones; nomes sem dúvida conhecidos do grande público por ganharem titulos mundiais de F-1;mas centenas de outros grandes pilotos não são conhecidos pelo grande publico em geral,por disputarem um campeonato restrito a terra dos cangurus: o Australian Touring Cars Championship(ATCC), e o nome de maior destaque de todas sua história é Peter Brock;



Peter Geoffrey Brock nasceu em 26 de fevereiro de 1945, sua família morava na cidade de Hurstbridge, no suburbio de Melbourne;Brock viveu nela sua vida inteira...Seu primeiro carro foi um surrado Austin Seven que adquiriu por míseros 10 Dólares Australianos ( algo perto de £5!)
O carro era terrivelmente mal conservado, não tinha freios e um pedaço da lataria fora arrancado com um machado! Mas foi o suficiente para acender a paixão pelos automóveis em Peter,: no inicio de sua carreira, competiu com o que os australianos chamam de "wild and woolly"- carros pequenos dotados de motores de maior cilindradas,adaptações feitas em pequenas oficinas e garagens; O mais famoso desses sem dúvida era o  Austin A 30 azul, equipado com um poderoso motor Holden de 6 cilindros, guiado por Brock;


O pequeno Austin A 30 com um brutal motor Holden 6 cil,pilotado por Brock

Brock pilotou BMWs,Porsches,Volvos..mas sua relação mais duradora foi com a Holden;
para a divisão australiana da GM, Brock pilotou por 40 anos; por ela, disputou o campeonato Australiano de Turismo,e sua melhor fase foi durante os anos 70;
A fase de ouro dos "aussie muscle car", com a rivalidade maior entre Holden e a Ford; com o Ford Falcon GTHO de um lado e o Holden Torana de outro, ambos com imensos motores V8; 

[O campeonato é disputado nas principais pistas australianas, algumas bem conhecidas pelos amantes de F-1, como Adelaide e Melbourne; mas o ponto alto eram os 1000 km de Bathrust;
Bathrust é uma pequena cidade em Nova Gales,uma das mais belas regiões australianas; o maior destaque de sua paisagem é o Monte Panorama; é nas estradas que o circundam que foi montado o circuito; com quase 6,4 km de extensão, tem como maiores caracteristicas, uma diferença de 150m de altura entre o ponto mais alto e o mais baixo da pista! A última curva antes da reta, a Murray, tem exatos 90° de curvatura.... decididamente não é uma pista para qualquer um; Mas era a casa de Brock, por ela ganhou o apelido de "King of Mountain", o rei da montanha]

Peter Brock formou uma dupla perfeita com o Torana, palavra que no idioma aborigene, significa, aquele que pode voar; e com seu Holden voador, era imbatível no Monte Panorama


Brock e seu Torana GTR XU em Bathrust 1972

Peter foi campeão do Australian Championship Touring  Cars em 1974,1978, e 1980 além de vice em 1973,1979,1981,1984 sempre a bordo de um Holden;
Venceu em Bathrust 1972,1975,1978,1979,1980,1982,1983,1984,1987; sendo que a prova de 1979 entrou para a história pois venceu a prova com 6 voltas de vantagem para o restante além de ter quebrado o recorde da pista.


O mítico Holden Torana AX-9 V8 usado por Brock em 1979

Brock também foi bem sucedido em provas de rally e de longa duração, tendo chegado em 2° nas 24 hs de Spa em 1977 pilotando um mediano Vauxhall Magnun;
Anunciou sua aposentadoria integral em 1997; criou a Peter Brock Foundation, destinada a ajudar crianças e jovens sem recursos, algo como o Instituto Ayrton Senna em nosso país; Brock poderia ter tido uma aposentadoria tranquila, mas a alma de piloto estava inquieta, e decidiu correr mais uma vez; volta em 2006 para pilotar uma réplica do Shelby Cobra GT, ano 2001,equipada com um motor Holden V8 em uma prova de rally no oeste australiano; foi sua derradeira prova e sua despedida deste planeta;em 8 de setembro daquele ano, faltando apenas 3 kilometros para a linha de chegada, Brock choca-se contra uma árvore e é lançado a 50 metros.... aos 61 anos, Peter Brock partiu fazendo o que mais amava,pilotar, pura e simplesmente pilotar.


O que sobrou do Daytona GT de Brock

Para finalizar, um vídeo com a volta final de Bathrust 1979, volta que Brock quebra o recorde da pista, seu até hoje; os aborígenes tinham razão: Brock realmente podia voar











sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Piers Courage

Para ser piloto de F1 nos anos 60, era necessário além de talento, uma boa dose de coragem para enfrentar circuitos inseguros e carros idem; E isso ele tinha até no nome...
Piers Raymond Courage nasceu em 27 de maio de 1942 em Colchester, Inglaterra...Era herdeiro da dinastia Courage,iniciada com Jonh Courage em 1787, de origem escocesa e francesa (daí seu sobrenome Courage - coragem em francês);dinastia dona de uma das maiores cervejarias do Reino Unido, a Courage Brewery;


Piers Courage

Piers teve uma educação privilegiada,estudou no Eton College, o mesmo onde os herdeiros da Família Real Britânica estudam,Começou sua careira no automobilismo pilotando uma Lotus 7;Em 1964 começa a disputar o campeonato de F3 com uma Lotus 22; Disputaria a temporada de 1965 com uma Brabham 1.0L e a de 1966 com uma Lotus 41, dada pelo próprio Colin Chapman.


Piers Courage na F3 em Brands Hatch 1964

Em 1967, Courage assina com a equipe BRM de F-1; O estilo de condução agressivo e arrojado se fez presente na F1 e acabou custando bons resultados para ele e sua equipe, que acabou liberando-o de seu contrato após o GP de Monaco de 67; Porém seu jeito de ser e tratar seus companheiros de equipe lhe rendeu o título de "o último gentilmen da F1", nobreza aliás sempre lhe foi próximo, casou-se com Lady Sarah Curzon em 1966, que ficou conhecida como "Sally" Courage.
Piers termina a temporada de 67, correndo com a Reg Parnell que corria com BRM´s de segunda linha


Courage e o BRM P 126 da Reg Parnell em Nuburgring,1968

Courage estava obtendo bons resultados na Parnell quando reencontra um grande amigo dos tempos de  F-2, Frank Williams.Frank iria montar uma equipe de F-1 e queria que Courage fosse seu piloto; Frank foi uma das grandes amizades da Courage na F-1; a outra seria com o austríaco Jochen Rindt;sua amizade estendeu-se as esposas e familias de ambos...


Nina Rindt (esq) e Sally Courage (dir), cronometrando os tempos de Jochen e Piers,
no fatídico GP da Holanda de 1970: ambas terminariam o ano viúvas


Piers cumpre seu contrato com a Parnell, disputando as temporadas de 1967 e1968, e em 1969, torna-se o primeiro piloto da equipe de seu amigo Frank Williams.Frank adquirira duas Brabham BT-26 para sua equipe em 69


Piers e o Brabham BT-26 de Williams em Silverstone,1969


Piers terminou a temporada de 1969 em 8° lugar, tendo como melhor resultado um 2° lugar em Monaco e um 2° nos EUA, nada ruim para uma equipe que corria com carros defasados;
Para 1970, Frank adquire os  Brabham BT- 30, ainda de segunda, mas estava em negociação com Alejandro De Tomaso, fabricante dos míticos carros esportes que levavam seu nome; este estava criando um modelo para F-1, com chassi feito de um material leve, que se popularizava rápido no automobilismo, mas mortalmente inflamável: magnésio..,


Brabham BT -30 : seria usado nas primeiras provas de 1970

Assim, estreia o Tomaso 505 de F-1 com motor Ford Cosworth V8;
O começo é complicado, o carro demonstra-se irregular e Piers passa as 4 primeiras provas do ano, brigando com o carro literalmente; Vem a 5° etapa, o GP da Holanda, em Zandvoort.


Piers e o Tomaso 505 no GP da Holanda 1970

Courage larga em 9°, passa a primeira metade da prova lutando para manter o carro na pista,porém ouve-se um estalo: na saida no Tunel Oost, algo se quebra;Não se sabe se foi a suspensão dianteira ou a caixa de direção, sabe-se apenas que o Tomaso ficou indirigível, Piers se choca contra um barranco violentamente,o impacto arrancara seu capacete e lhe quebra o pescoço, matando-o instantanemente; Assim não sentiria o horror provocado pelo magnésio:a morte nas chamas preso ao que sobrou do Tomaso


O Tomaso de Courage após o violento impacto

(Horror que exatos tres anos depois, Roger Williamson encontraria no mesmo ponto da pista).

Courage partiu deixando 2 filhos e um legado: de cordialidade com seus companheiros e um estilo de pilotagem leal, fazendo jus a seu título: o ùltimo gentilmen da F-1


O acidente fatal de Courage














quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Jo Schlesser

Nós brasileiros nos acostumamos a ver uma parceira nipo-francesa vitoriosa nos anos 90: Alan Prost e seu McLaren-Honda.Porém houve outra parceria entre um piloto francês e a montadora japonesa nos anos 60 que acabou em tragédia; Este piloto era Jo Schlesser.



Jo Schlesser

Joseph Schlesser nasceu em Lionville,França em 18 de maio de 1928;Ainda criança se mudou com os pais para Madagascar (então possessão francesa).Ao término da 2° Guerra, em 1946, retorna à França a fim de cursar engenharia mecânica em Nante; tinha então 18 anos...Como todo jovem que estuda esta carreira, se apaixonou por carros e por automobilismo. Com 24 anos se inscreve no Rally Lorraine, pilotando um antiquado Dyna-Panhard,mesmo assim venceu a prova!
Começou a competir com uma Ferrari, mas sofre um acidente durante uma prova , caindo de uma ravina.


Acidentes seriam uma constante triste em sua trajetória; Sofre um grave durante os treinos para as 24 Hs de Le Mans em 1961.Decide comprar um F-3 usado, que pertencera ao americano Harry Schell e começa a competir no campeonato francês da categoria;
Em 1963 conhece aquele que viria a ser seu parceiro,companheiro,irmão no mundo das pistas: um bem sucedido empresário do ramo da construção civil francês chamado Guy Ligier
No ano de 1964 disputa algumas provas de Nascar nos EUA, mas seu sonho maior ainda não tinha sido atingido, a F-1;Ele é satisfeito parcialmente em 1966, disputando alguns GPs pela Matra. Somente em 1968 surge a chance maior; disputar uma temporada inteira de F-1;Schlesser tinha então 40 anos, sabia que era sua última chance;
A Honda vinha competindo na F1 desde 1966, conseguindo feitos como a vitória na Itália com John Surtees.Para 1968 iria apresentar seu novo F-1, o RA 302: era um carro totalmente diferente, porém instável,inconstante: sua maior novidade era um chassis 100% feito de magnésio, material extremamente leve e igualmente inflamável.Surtees se recusa a guiar o que lhe parecia uma armadilha fatal sobre rodas.
Schlesser então é chamado; a estréia do RA 302 seria no GP da França, sua casa... tudo parecia perfeito, o próprio Sochiro Honda estaria presente,mas apenas parecia....


Schlesser e o Honda RA 302 em 1968


O palco estava pronto; a mítica pista de Rouen, seu primeiro GP seria em casa, diante de sua torcida; Schlesser larga bem, ganha uma posição, mas na 3° volta a tragédia se descortina:
na curva Six Fréres, o Honda se destabiliza, chicoteia e bate no barranco; com o tanque cheio, a explosão é brutal e não dá chances a Schlesser;quando o fogo sede,20 minutos depois,tudo que resta é um monte de restos calcinados e o corpo carbonizado de Schlesser;
O choque é brutal; a Honda decide abandonar as competições; só retornaria 19 anos depois para fornecer motores a Lotus de um certo Ayrton Senna.... Guy Ligier,em respeito ao amigo se retira para sempre das pistas, se tornando construtor...a Ligier se torna uma equipe de sucesso nos anos 70, com Jaques Laffite.. seus carros sempre eram batizados com as iniciais JS, em respeito ao amigo,irmão e companheiro Jo Schlesser....


Vídeo do acidente fatal de Jo Schlesser


O fogo que consumiu a vida de Schlesser



sábado, 8 de outubro de 2011

Gunnar Nilsson

No mundo do automobilismo, garra,disposição,luta,são palavras comuns e muitos as demonstram nas pistas;Mas houve um que mostrou muito mais garra e disposição lutando pela vida: Gunnar Nilsson.



Gunnar Nilsson

Gunnar nasceu em 30 de novembro de 1948, na cidade de Helsingborg, Suécia; Seu início no automobilismo foi tardio, aos 23 anos,Seus pais eram contra o filho disputar um esporte ,que na época vitimava muitos pilotos;mas o talento lhe era nato: 3 anos após a estreia em corridas, se torna campeão de F3 inglesa, em 1975.Gunnar conquistou nas pistas uma grande amizade com seu compatriota,Ronnie Peterson.
E graças a seu grande amigo, estreou na F1 em 1976: Peterson se desentendeu com Colin Chapman e abandona a Lotus para correr na March; Gunnar então ocupa a vaga deixada pelo amigo na equipe inglesa,seu primeiro GP é o da África do Sul, na perigosa pista de Kyalami.


Sua adaptação ao carro foi vertiginosamente rápida; na 3° prova, sobe ao pódium no GP da Espanha, em Jarama, com um 3° lugar; foi 3° também no GP da Áustria, em Osterreichring,Zeltweg.Seu ótimo desempenho na estréia lhe valeu a renovação do contrato com a Lotus para 1977, como 2° piloto, ao lado do italo-americano Mário Andretti.
E no ano de 77 vem a única vitória de Gunnar na F1, o GP da Bélgica, num circuito de Zolder embaixo da água; chega em 3° na Inglaterra; Tudo parecia caminhar para um título, mas então o câncer começa a dar seus sinais para Gunnar; Dores de cabeça constantes que pioravam a cada ocorrência;


Gunnar com o Lotus 78 no GP de Mônaco,1977

Gunnar assina um contrato com a Arrows para a temporada de 1978, abrindo seu lugar para o amigo Peterson retornar a Lotus;Deixara para consultar um especialista no final da temporada, e o diagnóstico era cruel: câncer testicular,com mínimas chances de sobrevivência; Teria apenas alguns meses a mais de vida, segundo os exames; Mas Gunnar não se entrega, com o mesmo arrojo e determinação demostrados nas pistas decide lutar contra a doença fatal;
Recinde seu contrato e inicia um tratamento no mais renomado centro de combate ao câncer na Europa, o Charing Cross Hospital de Londres.


Durante as dolorosas seções de quimioterapia,Gunnar observava o sofrimento de crianças com câncer que passavam pelo mesmo tratamento;Ele podia adquirir analgésicos e sedativos caros que aliviavam as dores,mas muitas daqueles crianças não podiam; Decide então recusar os sedativos oferecidos pelos médicos e pede que sejam usados pelas crianças.
Passa o ano de 1978 em luta constante: em setembro vem um duro golpe, seu amigo querido Ronnie Peterson, perde a vida na pista de Monza, Itália. Gunnar vai ao funeral do companheiro em Orebo, Suécia;Era um homem extramente debilitado:estava fraco pela doença e inconsolável pela perda do amigo.Retornou a Londres para deixar este mundo em 20 de outubro de 1978, um mês antes de completar 30 anos. A Suécia perdera em 2 meses os 2 maiores pilotos que havia produzido em todos os tempos...


Funeral de Peterson,em 1978: nota-se Gunnar (o 1° da direita para esquerda) debilitado e sem cabelos por causa da quimioterapia

Um ano após sua partida, Elisabetha Nilsson, sua mãe, funda a Gunnar Nilsson Foundation, dedicada as pesquisas em prol da cura do câncer; Hoje graças aos seus trabalhos, a maioria dos casos de câncer testicular tem cura;após 30 anos, os esforços de Gunnar Nilsson afinal, venceram o câncer...




domingo, 25 de setembro de 2011

Lella Lombardi

O automobilismo vem despertando cada vez mais o interesse feminino, e hoje vemos mulheres talentosas como Danica Patrick e Bia Figueiredo se destacando nas pistas da F-Indy;Mas para isso ocorrer, algumas heroínas desbravaram o caminho,numa época em que a presença feminina nos autódromos, se limitavam a mulheres de pilotos e membros de equipes;Dentre essas desbravadoras, destaca-se Lella Lombardi.



Lella nasceu Maria Grazia Lombardi, em 26 de março de 1941, na cidade de Frugarolo, Piemonte, Itália; Era filha de um simples açougueiro local e quando jovem, praticava handbol;Durante uma partida desse esporte Lella se feriu e foi conduzida as pressas para um hospital por um colega;durante o trajeto, feito de carro em alta velocidade, Lella foi "infectada" pelo vírus do automobilismo. Juntou economias durante anos, e finalmente comprou um Fiat de segunda mão, para começar a competir em provas de turismo.
  
No início dos anos 60 começa a competir pela Escuderia Moroni, nas provas do Campeonato de Turismo Italiano; em 1968 estreou na Fórmula 875 Monza (categoria monoposto com motor bicilindrico utilizado no Fiat 500 Giardinetta);
em 1970 disputou a temporada de Fórmula Ford italiana, sendo 3° colocada no final do ano; em 1972 competiu de F-3 italiana, sendo a 10° classificada geral;em 1974 estava na F-5000 inglesa,quando alcançou a categoria maior, a F-1. Estreia no GP da Inglaterra daquele ano, com uma velha Brabham BT 42,porém não se classificou para o grid.


Lella e a velha Brabham BT 42

O ano de 1974 foi um aprendizado para Lella,era a primeira mulher em muitos anos a tentar enfrentar os gigantes na F-1;Porém seu destino mudaria em 1975: Vittorio Zanon, um milionário conde italiano, comprara a vaga deixada por Victorio Brambilla na March, e assim Lella estréia com o carro laranja no GP da África do Sul,no tenebroso circuito de Kyalami; e consegue uma façanha: se classifica a frente de Graham Hill e Wilson Fittipaldi!


Lella no March n°10 em 1975

Na segunda prova, o GP da Espanha, em Montjuich, seu March passa a ser vermelho e branco, com patrocinio da Lavazza;Esta prova passa para a história por dois fatos: o grave acidente sofrido por Rolf Stommelen,que chocou seu carro contra o guard-rail, matando 5 espectadores e a conquista de Lella;Depois do acidente de Rolf, a direção de prova decide encerrar a mesma,já haviam passado dois terços da corrida e assim o resultado foi validado, Lella estava em sexto ,tornando-se a única mulher até hoje a pontuar na F-1.
Em 1976 Lella passa a correr pela RAM,usando modernos Brabham BT 44B,Foi sua última temporada de F1. No ano seguinte disputou provas de Nascar nos EUA (em Daytona) e provas de esporte-protótipos pela Europa.

Lella e o Brabham BT 44 da RAM em Zeltweg, Austria 1976


Lella pilotando um Renault Alpine A 110 

Lella competiu até o final dos anos 1980, quando foi diagnosticada com câncer; Lutou contra a doença com a mesma disposição que correu,mas a doença a derrotou em 3 de março de 1992;Lella, a pequena italiana voadora,a mulher que ousou disputar com os grandes, se despedia desse mundo com 51 anos de idade.










quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Jo Siffert

O fato da Suiça ter banido as competições de automóveis em suas terras após o trágico acidente de Le Mans (França) em 1955,não impediu que dela surgissem grandes pilotos, e o mais talentoso piloto suíço sem dúvidas foi Jo Siffert.



Jo Siffert

Joseph Siffert (ou "Seppi" como era chamado pela família e os amigos mais próximos),nasceu em Fribourg, Suiça, em 7 de julho de 1936.
Seu pai era industrial de laticínios,mas a origem "rural" não impediu Jo de ir além; Começou sua jornada vencedora, competindo em 2 rodas (as competições de moto não estavam proibidas); preparou ele mesmo sua moto e começou a competir, em 1956,no Campeonato Suiço de Motos até 350 cc; em 1959 se tornou campeão da categoria.
Nesse mesmo ano, decidiu competir com automóveis, estreiando com um Fórmula Júnior (categoria de entrada, com motores 1000 ou 1100 cc -DKW ,Saab ou Fiat- e menos de 300 kg de peso),da equipe Stanguellini;
Em 1962 alcança a F1,pilotando uma Lotus-Climax FPF, pelo time privado Ecurie Nationale Suisse.,no mesmo ano se transfere para a Scuderia Filipineti .
Monta sua própria equipe para as temporadas de 1963 e 1964; em 1965 se junta ao inglês Rob Walker na Rob Walker Racing Team (chassi Brabham BT 11 e motores BRM,Climax, Ford e Maserati, de acordo com a temporada), onde permaneceu até 1969;
Por esse equipe venceu o GP do Mediterrâneo de 1964 e 1965,disputado no perigoso autódromo de Pergusa,na Sicilia e a maior glória, o GP da Inglaterra de 1968, a frente das duas temidas Ferraris 312 B de Cris Amon e Jacky Icxx; Esse feito passou para a historia da F1,pois foi a última vitória de um carro privado (ou seja de propriedade do próprio piloto e não de uma equipe ou fábrica).


Siffert também se destacou em provas de turismo/protótipo; de 1966 a 1970 disputou o Word Sportscar Championship (Campeonato Mundial de Protótipos) pela Porsche; venceu as 24 Horas de Daytona e as 12 Horas de Sebring a bordo de um 907;E os 1000 km de Nurburgring de 1966 a bordo de um 906.


Siffert e o Porsche 906 em Nurburgring,1966

Em 1970, vem o mítico 917; Siffert e o mexicano Pedro Rodriguez foram a dupla da Porsche que passa para a história,ao volante da lenda 917-K Gulf - Porsche


Siffert a frente e Rodriguez atrás : os 917 K e seus dois pilotos eternizados

Na F-1, Siffert disputa a temporada de 1970 na estreante March


Siffert e o STP March F1 1970

Mas o íncio da March era conturbado,desastroso para ser mais franco, e Siffert se muda pra a BRM, fazendo a dobradinha com Rodriguez também na F1.
A temporada de 1971 se inicia, e a BRM tem uma dupla de pilotos rápidos e talentosos;
em julho vem o primeiro golpe; Rodriguez morre em um acidente na pista de Norisring na Alemanha;com isso Siffert passou a ser o único piloto das duas equipes : BRM e Porsche.
Vence o GP da Áustria, em Zeltweg e chega em 2° no GP dos EUA, atrás de Francois Cevert e seu Tyrell ( em sua 1° vitória na F1); devido ao bom desempenho se classifca para o GP dos Campeões (prova que não contava pontos para o Mundial; corriam os pilotos que obtiveram as melhores posições na classificação ao longo da temporada);
Essa prova seria disputada na Inglaterra, no circuito de Brands Hatch; Brands então seria palco ironicamente da maior glória e do trágico destino para Siffert.


GP Austria 1971 : Siffert (BRM branca),Cevert (Tyrrell 12) Stewart (Tyrell 11) Clay Regazzoni (Ferrari) : apenas Stewart ainda está entre nós...


Siffert e a BRM em Watkins Glen 1971

Na primeira volta ainda, a BRM de Siffert  toca involuntariamente no March de Ronnie Peterson; isso ocasiona um dano na suspensão que seria fatal para Siffert voltas depois: Na 12° volta, a suspensão do BRM se quebra por completo, Siffert perde o controle e se choca contra um barranco na lateral da pista;o BRM explode de imediato, não dando chances de sobrevivência ao suiço; Os extintores de incêndio não funcionaram e as chamas devoraram-no...
Partia assim o talentoso, educado e afável Siffert; Graham Hill chorou dentro de seu cockpit a perda de um amigo..
Em Fribourg, 50 mil pessoas receberam o corpo de Siffert; na frente de seu cortejo fúnebre, veio aquele que ficara para sempre marcado como o mais perfeito parceiro de Jo: o Porsche 917 K...


                                  Siffert e o 917 K: unidos para sempre na pintura de Beacham Owen


                                                        
                                           Vídeo do acidente fatal de Siffert em Brands Hatch