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quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Jo Schlesser

Nós brasileiros nos acostumamos a ver uma parceira nipo-francesa vitoriosa nos anos 90: Alan Prost e seu McLaren-Honda.Porém houve outra parceria entre um piloto francês e a montadora japonesa nos anos 60 que acabou em tragédia; Este piloto era Jo Schlesser.



Jo Schlesser

Joseph Schlesser nasceu em Lionville,França em 18 de maio de 1928;Ainda criança se mudou com os pais para Madagascar (então possessão francesa).Ao término da 2° Guerra, em 1946, retorna à França a fim de cursar engenharia mecânica em Nante; tinha então 18 anos...Como todo jovem que estuda esta carreira, se apaixonou por carros e por automobilismo. Com 24 anos se inscreve no Rally Lorraine, pilotando um antiquado Dyna-Panhard,mesmo assim venceu a prova!
Começou a competir com uma Ferrari, mas sofre um acidente durante uma prova , caindo de uma ravina.


Acidentes seriam uma constante triste em sua trajetória; Sofre um grave durante os treinos para as 24 Hs de Le Mans em 1961.Decide comprar um F-3 usado, que pertencera ao americano Harry Schell e começa a competir no campeonato francês da categoria;
Em 1963 conhece aquele que viria a ser seu parceiro,companheiro,irmão no mundo das pistas: um bem sucedido empresário do ramo da construção civil francês chamado Guy Ligier
No ano de 1964 disputa algumas provas de Nascar nos EUA, mas seu sonho maior ainda não tinha sido atingido, a F-1;Ele é satisfeito parcialmente em 1966, disputando alguns GPs pela Matra. Somente em 1968 surge a chance maior; disputar uma temporada inteira de F-1;Schlesser tinha então 40 anos, sabia que era sua última chance;
A Honda vinha competindo na F1 desde 1966, conseguindo feitos como a vitória na Itália com John Surtees.Para 1968 iria apresentar seu novo F-1, o RA 302: era um carro totalmente diferente, porém instável,inconstante: sua maior novidade era um chassis 100% feito de magnésio, material extremamente leve e igualmente inflamável.Surtees se recusa a guiar o que lhe parecia uma armadilha fatal sobre rodas.
Schlesser então é chamado; a estréia do RA 302 seria no GP da França, sua casa... tudo parecia perfeito, o próprio Sochiro Honda estaria presente,mas apenas parecia....


Schlesser e o Honda RA 302 em 1968


O palco estava pronto; a mítica pista de Rouen, seu primeiro GP seria em casa, diante de sua torcida; Schlesser larga bem, ganha uma posição, mas na 3° volta a tragédia se descortina:
na curva Six Fréres, o Honda se destabiliza, chicoteia e bate no barranco; com o tanque cheio, a explosão é brutal e não dá chances a Schlesser;quando o fogo sede,20 minutos depois,tudo que resta é um monte de restos calcinados e o corpo carbonizado de Schlesser;
O choque é brutal; a Honda decide abandonar as competições; só retornaria 19 anos depois para fornecer motores a Lotus de um certo Ayrton Senna.... Guy Ligier,em respeito ao amigo se retira para sempre das pistas, se tornando construtor...a Ligier se torna uma equipe de sucesso nos anos 70, com Jaques Laffite.. seus carros sempre eram batizados com as iniciais JS, em respeito ao amigo,irmão e companheiro Jo Schlesser....


Vídeo do acidente fatal de Jo Schlesser


O fogo que consumiu a vida de Schlesser



domingo, 28 de agosto de 2011

Tom Pryce

Os anos 70 foram sem dúvida, os mais trágicos e sombrios da história da F1 e do automobilismo;Muitas vidas se foram em virtude da falta de segurança das pistas,de carros que eram verdadeiras armadilhas fatais, do despreparo de fiscais e comissários de prova; E foi a soma de todos estes fatores que provocaram o acidente mais tenebroso desse período,acidente que ceifou a vida de Tom Pryce.



Tom Pryce


Thomas Maldwyn Pryce nasceu em 11 de junho de 1949,na cidade de Ruthin, condado de Denbighsire, País de Gales; filho de Jack e Gwyneth Pryce. Seu pai havia sido piloto de bombardeiro da RAF na 2° Guerra Mundial (pilotava os temidos Avro Lancaster);sua mãe era enfermeira no posto de seu distrito.Seu irmão mais velho falecera quando Tom tinha 3 anos, o tornando filho único.
Pryce começou a se interessar por automóveis aos 10 anos, quando dirigiu uma van de padaria!Porém seu interesse maior era a aviação, e a exemplo do pai, ser um piloto da RAF;Anos mais tarde diria que desistiu por que não se achava "inteligente o suficiente" para pilotar um caça.
De criança, seu ídolo era o escocês piloto da Lotus, o mítico Jim Clark;assim quando este faleceu em Hockenhein em 1968, Tom teve sua primeira tristeza no automobilismo;Mesmo assim começou a competir de Fórmula Ford inglesa em 1969, estreando na prova de Mallory Park.Disputou as temporadas de 1969 a 1971 nessa categoria, sendo que na prova em Silverstone durante a temporada de 1970, venceu sob uma chuva torrencial, e deu inicio a fama de piloto imbatível em pistas molhadas; em 1973 disputou a F3, e em 1974 vem a grande chance, ser piloto de F1;estreiou a bordo de um mediocre Token, mas seu desempenho chamou a atenção da Shadow Cars; e assim Tom foi contratado para substituir Peter Revson ( que por uma macabra concidência falecera na mesma pista que Tom, Kyalami,pilotando a mesma Shadow de n°16);



Tom Pryce e seu Shadow F1 em 1975

A Shadow era um carro sinistro em todos os aspectos (a começar pelo nome,traduzido como sombra,espectro ou fantasma):era insegura,como a maioria dos F1 dos anos 70 e toda pintada na cor preta...
Pryce terminou a temporada de 1975 em 8° e a de 1976 em 10°.Então vem o ano de 1977; e Pryce tinha esperanças renovadas; a Shadow apresentara um novo modelo, (pintado em branco e azul);Era um carro mais estável e enfim daria alguma chance ao talentoso piloto galês.
3° etapa do mundial,em Kyalami, na conturbada África do Sul em pleno apartheid; dia 5 de março de 1977;Após uma quebra no GP do Brasil(2° etapa) Pryce alinha seu Shadow no grid de largada;Após um problema na largada, cai para último lugar,mas dá incio a uma arrancada excepcional, e em 20 voltas sobe para a 11°posição;


                                                        Pryce e a Shadow 16 em Kyalami,1977


21°volta:por uma trágica ironia, a Shadow de n°17, do companheiro de Pryce, Renzo Zorzi, para por problemas no motor na reta dos boxes; mal Renzo desce do carro,o motor incendeia-se; Então a tragédia se desenha: dois jovens e despreparados fiscais,atravessam a pista carregando pesados extintores;o primeiro escapa dos carros por pouco,mas o segundo, um jovem de 18 anos chamado Jensen Van Vuuren não tem a mesma sorte e é atingido em cheio pelo carro de Pryce, a 275 km/h; O impacto é tão brutal que o corpo de Jensen se desmembra ao meio; Pryce é bizarramente atinigindo na cabeça pelo extintor, que arranca seu capacete e fratura seu crânio por completo (a ponto de seu rosto se tornar uma pasta ensanguentada); O carro desgovernado,com um morto ao volante, continua em linha reta e atinge a Ligier de Jacques Laffite;O único galês a pilotar e vencer na F1 estava morto; Morrera ironicamente onde seu antecessor de equipe também perecera e no local onde milhares de seus compatriotas, soldados do 22° Regimento de Galeses Fronteriços haviam tombado,aos pés do monte Isandawana, em janeiro de 1879;
E da canção militar cantada por eles,tiro um verso que pode resumir o perfil galês de Tom Pryce
"Sempre pronto para a batalha;
 Um galês jamais se rende."




                           Vídeo do acidente fatal de Pryce: Atenção! as cenas são fortes...



Vídeo-tributo ao galês Tom Pryce



domingo, 31 de julho de 2011

Ignazio Giunti

Ele é o terceiro do trio de grandes pilotos italianos do final dos anos 60 que pereceram de modo trágico, antes de alcançarem a glória,seu nome: Ignazio Giunti.
Ignazio Giunti nasceu em Roma, em 30 de agosto de 1940;Seus pais,Pietro e Gabriella Giunti, tinham origem nobre, eram ricos e donos de uma vasta rede hoteleira na Calábria.
Isso proporcionou uma educação melhor e uma vida tranquila a Ignazio, que poderia ter sido um bem sucedido empresário da hotelaria,mas ele havia se apaixonado por outro mundo, o das corridas de automóveis.


                                                                 
                                                                      Ignazio Giunti


Começou a competir,escondido dos pais, aos 20 anos de idade, com uma Alfa Romeo Giulia TI alugada,chegando em 3° na sua classe logo na prova de estréia.
Competiu nas provas de turismo a bordo de BMW 700, Fiat Abarth 850 C,mas o carro de turismo que mais alegria lhe deu foi a Alfa Romeo GTA; com ela ganhou o titulo de "Rei de Vallenunga", o mítico autodrómo romano (que hoje leva seu nome).


                                                    
                                                     Giunti e o GTA em Vallenunga,1967


Em 1966, Giunti começa a competir em provas de protótipos, das quais se tornaria especialista, a exemplo de seus compatriotas Bandini e Scarfiotti.
LeMans, Sebring,Vallenunga,Targa Florio,Daytona:nenhuma guardava segredos que Giunti não sabia; 3° em LeMans 1968, fazia uma união quase espiritual com sua Alfa Romeo T33.


                                                             
                                          Giunti e o Alfa Romeo T33 em Daytona 1969


Em 1969, começa a competir pela casa maior italiana, a Ferrari; e com a mítica 512S, venceu Targa Florio e Sebring em 1970, foi 2° nos 1000 km de Monza,4° no 1000 km de Spa e vencedor das 9 hs de Kyalami na África do Sul, já a bordo da nova 512M




                                                Giunti e a Ferrari 512 em Daytona 1970


                                                                    
                                        Giunti e a Ferrari 512 LM em Nurburgring Nordschife 1970


Seu talento a bordo dos protótipos do cavallino rampante logo o fazem pilotar para a fábrica de Maranello também na F-1, onde fez apenas 4 corridas ainda em 1970, mas como uma estréia arrebatadora em Spa,na Bélgica: 4°lugar.


                                                                  
                                       Giunti e a Ferrari 312 B V-12 de F1 em Spa 1970


Vem o ano de 1971, e com ele muitas esperanças para Giunti, que se firmava como grande piloto;para a Itália, era a esperança de um novo herói,após as partidas trágicas de Lorenzo Bandini e Ludovico Scarfiotti.A prova de abertura do calendário de protótipos era os 1000 km de Buenos Aires e Giunti era favorito, com sua Ferrari 312 PB.


                  
            Giunti e a Ferrari 312 PB em Buenos Aires, instantes antes de seu trágico destino.


A Ferrari havia inscrito a 312 PB, revezando a pilotagem entre Giunti e seu compatriota, Arturo Merzario;Com Giunti ao volante, a Ferrari estava na frente do mítico Porsche 917 K,pilotado pelo mexicano Pedro Rodriguez. Giunti decide abrir vantagem em rítimo de volta de qualificação antes de ir para os boxes,cumprir o revezamento,e na 36° volta, ocorre a tragédia;
O Matra-Simca MS 660 de Jean Pierre Beltoise fica sem gasolina na saida da curva Horquilla, a ultima antes da entrada dos boxes;O Matra para do lado esquerdo da pista,e como a entrada era do lado direito,Beltoise decide fazer uma das manobras mais imbecis da história: atravessar a pista empurrando seu carro;Ignorando o apelo dos fiscais de pista,que agitavam freneticamente suas bandeiras amarelas, o francês começa sua burrice e então, apontam na curva duas Ferraris: a 512 M pilotada pelo inglês Mike Parkes e Giunti em sua 312 PB.
Parkes,pelo lado interno da curva, visualiza o Matra em cima e consegue desviar por milimetros;Giunti não tem a mesma sorte: a 312 PB se choca violentamente contra a traseira do Matra e explode;Giunti é retirado do monte de aço retorcido em chamas que outrora era uma Ferrari, com 70% do corpo queimado; Morre ao dar entrada no Hospital Central de Buenos Aires. Beltoise foi considerado culpado pela sua morte, e a justiça argentina o baniu de competições naquele pais, e num espaço de 4 anos, a Itália chora a morte de seus 3 grandes pilotos, abrindo uma ferida e criando um trauma que nunca foi superado. A Águia Asteca, alusão ao seu capacete, já não voava mais.


                                            
                                           a Águia Asteca pintada no capacete de Giunti


                       
                           Video mostrando a manobra estúpida de Beltoise e a morte de Giunti






                                              O acidente fatal de Giunti visto de outro ângulo

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Lorenzo Bandini

Já se vão 57 anos desde o último italiano campeão na F-1 (Ascari em 1953, com uma Ferrari);Apesar de produzir os mais desejados e vencedores carros de competição, a Itália não conta com um representante a altura;Talvez grande parte disso, deve-se a perda trágica de uma de suas maiores esperanças : Lorenzo Bandini.

                                  Bandini a bordo de sua Ferrari



Lorenzo nasceu em Barce, na Cirenaica, Líbia, em 1935,quando essa era uma colônia italiana, anexada pelo "Duce" Mussolini,aos 4 anos de idade, sua familia muda-se para Firenze; Lorenzo sofre um duro golpe aos 15 anos,a morte de seu pai; com isso,Bandini se muda para Milano e lá se emprega de aprendiz de mecânico em uma oficina de carros e motos de competição da familia Freddi;(Isso lhe valeria um conhecimento excepcional e o tornaria um exímio acertador de carros).
Começa a competir em 1957, a bordo de um Fiat 1100; ainda em 1957, vence a Mille Miglia,na sua classe, com uma Lancia Appia Zagatto; Daí para a Fórmula Jr,(acesso para a F1 na época) foi um "piccolo" salto, e em 1960 sagra-se campeão mundial da categoria.No ano seguinte,estréia na F1, a bordo de um Cooper-Maserati T53, da Scuderia Centro Sud;

                              
                            Bandini no CooperT53-Maserati, em 1961

Mas em 1961,uma tragédia mudaria seu destino; Wolfang Von Trips, o promissor alemão da Ferrari, (incrível a semelhança física dele com um outro alemão vencedor na Ferrari décadas depois: Michael Schumacher)morre em um acidente no GP da Itália, em Monza,penultima prova do mundial;
Com isso, Enzo Ferrari,sem um segundo piloto (o campeão Phil Hill era o 1°),decide que apostaria em Lorenzo; Um piloto italiano em um carro italiano novamente com chances de ser campeão mundial.Em 1962,Bandini estreia a bordo da Ferrari 156 de n° 2; em 1963, em parceria com outro italiano,Ludovico Scarfiotti, vence as 24 Horas de Le Mans, a bordo de uma Ferrari Dino (Bandini se tornaria um piloto vencedor em provas dessa categoria,longa duração,vencendo a Targa Florio em 1965, e as 24 Horas de Daytona em 1967)
                    Bandini chegando a Le Mans 1963 em um Peugeot 404

Em 1963, Bandini se casa com Margherita Freddi;a jovem, que observara anos antes o jovem Lorenzo,coberto de graxa, entre os carros na oficina, que era de seu pai..Se mudam para Maranello, sede da Ferrari; em 1964, vem sua 1°(e única) vitória em um GP de F-1, na Áustria;1965 e 1966 não são boas temporadas para Bandini,que vê 1967 começar com uma esperança: a nova Ferrari 312; um carro finalmente competitivo, capaz de bater as então insuperáveis Lotus 49;

                                 
                                   Bandini e a Ferrari 312 1967

Chega o GP de Mônaco, segunda prova do calendário, em 10 de maio; Bandini faz dupla na Ferrari com Cris Amon,e enfim é o 1° piloto da casa de Maranello; é uma corrida extremamente longa, a Ferrari n°18 está em segundo, atrás de Dennis Hulme e sua Brabham, e então vem a volta 82;
Bandini sai da Chincane do Porto (onde hoje é a saída o Tunnel do Hotel), a Ferrari derrapa,bate na proteção de fardos de feno (sim, feno, como numa fazenda!) e explode; Bandini fica preso as ferragens;os fiscais despreparados o arrancam do carro sem cuidados,apagam o fogo de seu corpo com extintores e então ocorre uma segunda explosão; Bandini tem 70% de seu corpo queimado,fraturas em 10 partes de suas pernas; é levado ao hospital de Lyon, especializado em queimaduras,é atendido por médicos vindos da Inglaterra,  mas não resiste e falece, após lutar por 3 dias; A Itália sofre um duro golpe; seu idolo maior está morto.


                               A Ferrari de Bandini em chamas


                             Vídeo do acidente fatal de Bandini

Algo inédito para a época ocorreu : 100 mil pessoas foram as ruas de Reggiolo, Itália para acompanhar o cortejo fúnebre de seu herói nacional;Enzo Ferrari,Il Comendatore, o homem com fama de ter o coração duro,chorou sua perda.Hoje, passados 47 anos,poucos ouviram falar do último italiano voador que pilotou uma Ferrari de F1...

                              
                   Jornais da época com a notícia : Bandini poderia ser salvo