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segunda-feira, 23 de abril de 2012

Pierre Levegh

Ele tinha tudo para ter passado para a história pelo seu talento, mas infelizmente, ficou como o protagonista do pior acidente da história do automobilismo;
Pierre Levegh nasceu Pierre Eugène Alfred Bouillin, em 22 de dezembro de 1905, em Paris, França

Pierre Levegh

Adotou o nome Levegh em homenagem o tio, pioneiro das corridas, que morreu em um acidente em 1904, um ano antes de seu nascimento;Além de piloto,Levegh também  jogou hockey no gelo e tênis; Mas os carros foram sua grande paixão, e na 1° temporada de F1, em 1950, começou a competir com um Talbot-Lago; A essa época, a mítica prova das 24 hs de Le Mans estava no calendário juntamente com a F-1; com o Talbot, Levegh foi 14° na prova de 1951 e em 1952 abandonou por quebra; em 1953 foi 18° e em 1954 se envolveu em uma batida após 17 horas de corrida;
Mas 1955 prometia; Levegh iria pilotar a maior máquina da época, a Mercedes Benz 300SLR; a versão carenada da W-196 de F-1


A mítica Mercedes 300 SLR de 1955

As 24 hs de LeMans de 1955 tinha tudo para ser uma prova excepcional, com um embate entre a inglesa Jaguar, a italiana Ferrari e a alemã Mercedes, as 3 com seus modelos mais emblemáticos de todos os tempos (pela ordem): D-Type,121 LM e 300 SLR.
A Jaguar tinha como pilotos, o inglês Mike Hawthorn e o novato Ivor Bueb; a Ferrari o grande piloto italiano Eugênio Castellotti,e o americano Phill Hill; a Mercedes trouxe dois carros; um para a dupla Juan Manuel Fangio(ARG) e Stirling Moss(GBR);os maiores pilotos da época e dois dos maiores de todos os tempos; e um para a dupla Jonh Fitch (EUA) e Pierre Levegh.
com 49 anos Levegh via uma chance para se  tornar vitorioso: tinha simplesmente o melhor carro de todos, para quem em 1952 conduziu seu Talbot por 22 horas seguidas sem troca de pilotos e quebrou justamente em 1° lugar, uma vitória era mais que possivel;

As 16 hs do sábado, dia 11 de junho de 1955, começa a prova: Castellotti e sua Ferrari largam em 1°; Fangio e Hawthorn imprimem um ritmo alucinante: chegam a rasgar a grande reta Hunaudières a 300 km/h; mais que uma disputa automobilistica, era uma disputa incurada da 2°Guerra Mundial; Hawthorn estava decidido a impedir que um carro alemão ganhasse de um carro inglês.


Castellotti com a Ferrari n°4, seguido de Hawthorn no Jaguar n°6 e Fangio na Mercedes n°16


Duas horas e meia de prova, volta n°34: Hawthorn está em 1°, seguido de Fangio em sua Mercedes, O Jaguar n°6 está próximo de fazer seu 1° pit stop; Hawthorn decide pisar o máximo que pode para abrir uma vantagem que o permita voltar dos boxes ainda na briga pelo 1° lugar, (algo desnecessário em uma prova com 24 hs de duração);
Ele acelera seu Jaguar ao máximo, e a 100 metros dos boxes, se valendo dos poderosos freios a disco da Girlling, freia repentinamente;Mas havia um detalhe que Hawthorn não considerou:para esta manobra ele ultrapassou um carro mais lento, um Austin-Healey A-100 de  categoria menor(em Le Mans, disputam-se várias classes de automóveis ao mesmo tempo); O Austin guiado por Lance Macklin estava a no máximo 180 km/h e viu a traseira do D-Type crescer a sua frente; sem conseguir frear e para desviar do Jaguar, joga para sua esquerda; apontam as 2 Mercedes na reta a 260 km/h : Levegh que estava levando uma volta dos lideres vinha a frente e Fangio logo atrás; Levegh não consegue desviar do Austin e decola sobre sua traseira: a Mercedes voa sobre a arquibancada;capota inumeras vezes e explode; seus destroços em chamas matam Levegh(que teve o crânio fraturado) e mais 87 espectadores; 79 pessoas ficam feridas; corpos em chamas voam  para a pista diante de fiscais e mecânicos aterrorizados;
Há pânico generalizado; muitos correm para as saidas da arquibancada e morrem pisoteados;
o corpo de Levegh foi achado a 70 metros de onde parou o que sobrou do 300 SLR; o clima no autodrómo é horrendo; Mas o diretor de prova Charles Faroux, na decisão mais criticada e condenada da história, decide que a prova vai proseguir; Alfred Neubauer, o emblemático chefe de equipe da Mercedes vai até os boxes da Jaguar;Em um ato de cavalheiro, diz que vai se retirar da prova e solicita o mesmo ;No entanto,a equipe inglesa decide continuar na prova e vence com Hawthorn; no podio,ele bebe a champagne da vitória,ato que revoltou a França; porém nos boxes, a realidade cai: ele tem uma crise de histeria e diz que não quer pilotar mais; Após a prova,os 4 GPS seguintes são cancelados,incluindo o da Suiça, que baniu as provas de automobilismo para sempre de seu território; A Mercedes Benz se retira das competições para retornar somente 40 anos depois;
Ninguém foi responsabilizado pelo acidente de fato; De modo covarde, alguns insinuaram a culpa para Levegh, que morto não teria defesa.... e assim o "Bispo", como Levegh era conhecido, entrou para a historia; não por sua conduta sempre suave e gentil, não por seu talento, mas por ter se envolvido na maior trágedia já ocorrida nas pistas.


Vídeo com raras imagens da tragédia de Le Mans 1955




A tragédia vista de outro ângulo





quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Jo Schlesser

Nós brasileiros nos acostumamos a ver uma parceira nipo-francesa vitoriosa nos anos 90: Alan Prost e seu McLaren-Honda.Porém houve outra parceria entre um piloto francês e a montadora japonesa nos anos 60 que acabou em tragédia; Este piloto era Jo Schlesser.



Jo Schlesser

Joseph Schlesser nasceu em Lionville,França em 18 de maio de 1928;Ainda criança se mudou com os pais para Madagascar (então possessão francesa).Ao término da 2° Guerra, em 1946, retorna à França a fim de cursar engenharia mecânica em Nante; tinha então 18 anos...Como todo jovem que estuda esta carreira, se apaixonou por carros e por automobilismo. Com 24 anos se inscreve no Rally Lorraine, pilotando um antiquado Dyna-Panhard,mesmo assim venceu a prova!
Começou a competir com uma Ferrari, mas sofre um acidente durante uma prova , caindo de uma ravina.


Acidentes seriam uma constante triste em sua trajetória; Sofre um grave durante os treinos para as 24 Hs de Le Mans em 1961.Decide comprar um F-3 usado, que pertencera ao americano Harry Schell e começa a competir no campeonato francês da categoria;
Em 1963 conhece aquele que viria a ser seu parceiro,companheiro,irmão no mundo das pistas: um bem sucedido empresário do ramo da construção civil francês chamado Guy Ligier
No ano de 1964 disputa algumas provas de Nascar nos EUA, mas seu sonho maior ainda não tinha sido atingido, a F-1;Ele é satisfeito parcialmente em 1966, disputando alguns GPs pela Matra. Somente em 1968 surge a chance maior; disputar uma temporada inteira de F-1;Schlesser tinha então 40 anos, sabia que era sua última chance;
A Honda vinha competindo na F1 desde 1966, conseguindo feitos como a vitória na Itália com John Surtees.Para 1968 iria apresentar seu novo F-1, o RA 302: era um carro totalmente diferente, porém instável,inconstante: sua maior novidade era um chassis 100% feito de magnésio, material extremamente leve e igualmente inflamável.Surtees se recusa a guiar o que lhe parecia uma armadilha fatal sobre rodas.
Schlesser então é chamado; a estréia do RA 302 seria no GP da França, sua casa... tudo parecia perfeito, o próprio Sochiro Honda estaria presente,mas apenas parecia....


Schlesser e o Honda RA 302 em 1968


O palco estava pronto; a mítica pista de Rouen, seu primeiro GP seria em casa, diante de sua torcida; Schlesser larga bem, ganha uma posição, mas na 3° volta a tragédia se descortina:
na curva Six Fréres, o Honda se destabiliza, chicoteia e bate no barranco; com o tanque cheio, a explosão é brutal e não dá chances a Schlesser;quando o fogo sede,20 minutos depois,tudo que resta é um monte de restos calcinados e o corpo carbonizado de Schlesser;
O choque é brutal; a Honda decide abandonar as competições; só retornaria 19 anos depois para fornecer motores a Lotus de um certo Ayrton Senna.... Guy Ligier,em respeito ao amigo se retira para sempre das pistas, se tornando construtor...a Ligier se torna uma equipe de sucesso nos anos 70, com Jaques Laffite.. seus carros sempre eram batizados com as iniciais JS, em respeito ao amigo,irmão e companheiro Jo Schlesser....


Vídeo do acidente fatal de Jo Schlesser


O fogo que consumiu a vida de Schlesser