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domingo, 4 de janeiro de 2015

Luigi Musso

Itália: terra de mitos sobre rodas como Ferrari, Maserati e Alfa Romeo; país que conta com uma legião de fanáticos "tifosi" da scuderia de Maranello e amantes do automobilismo; Monza, Vallenunga,Mille Miglia,Targa Florio são provas históricas, mas algo é quase inexplicável: porque não produziu nenhum piloto campeão de F1 desde 1953?
Tenham certeza que não foi falta de revelar grandes nomes, ao contrário; Tem mais a ver com a tragédia que se abateu sobre todas as grandes promessas da Terra da Bota; foi assim com Ascari,Castelloti,Giunti,Bandini,Scarfiotti, e não foi diferente com ele, outro grande piloto italiano, que a morte colheu antes da glória;


Seu nome era Luigi Musso;Nascera em 28 de julho de 1928 na Cidade Eterna, Roma.
Era o filho mais novo dos cinco que o bem sucedido advogado Giuseppe Domenico Musso teve.
Junto com seus irmãos, Luigi teve uma infância abonada em uma bela casa próxima a Via Veneto;Mais aos 16 anos, a vida lhe dá um duro golpe, com a morte de seu pai; era o ano de 1944 e a Itália vivia mergulhada no caos e no horror da 2ºGuerra.Isso teve impacto gigantesco em Luigi, ajudando a se tornar o grande caráter que foi.
Luigi e os irmãos se tornaram herdeiros de uma considerável fortuna, o que lhe deu condições a se dedicar aos esportes: esgrima e hipismo chegou a praticar com algum sucesso, mas logo seria encantado pelo automobilismo;
Seu primeiro carro foi um simples Fiat Topolino, comprado 1 ano após a morte de seu pai.
Começa a frequentar, com seus irmãos mais velhos, a recém aberta oficina de Mimmo Dei, grande nome italiano nas pistas nos anos 20... Essa oficina no centro de Roma viria a se tornar a mítica Scuderia Centro Sud, que competiu por anos na F1 com modelos Maserati.
Os anos 50 se iniciam e com eles, a carreira de Musso; ainda em 1950,participa do Giro D'Itália com um pequeno Fiat 750cc; no ano seguinte termina em 2º na VIII Coppa Ascoli,(corrida não oficial no calendário de F1) , vencida por Franco Bordoni e com Maria Tereza de Fillipis, a primeira mulher a pilotar um F-1 na história, chegando em 3º.

(a temporada de F-1 de 1952 foi memorável também por ter sido a primeira em que uma equipe brasileira disputou, a Escuderia Bandeirantes, com os pilotos brasileiros Chico Landi e Gino Bianco,  pilotando Maseratis A6 GCM, isso 23 anos antes dos irmãos Fittipaldi e seu Copersucar).

Mas a estréia na F-1 para Luigi viria em 1953, a bordo da  Maserati A6GCM,graças ao apoio de Mimmo Dei.


Maserati A6GCM 1952 F-1

Na temporada de estréia,Musso consegue como melhor resultado,um modesto 7ºlugar no Grande Prêmio da Itália.
Musso disputaria as temporadas de 1953 a 1955 pela Maserati, mas já com a mítica 250F.( foi 8º colocado em 53 e 10º na temporada de 54).



Musso e os anos de Maserati



1956: a principal concorrente da Maserati, também era italiana, a Ferrari; o comendatore Enzo havia adquirido a estrutura da Lancia no ano anterior, seu principal projetista Vittorio Jano,o jovem galante Eugênio Castellotti (tema de posts anteriores) e o veterano campeão,Alberto Ascari (último italiano campeão);
Porém Ascari morre tragicamente, em um teste no circuito de Monza; uma vaga na scuderia de Maranelo precisava ser preenchida, e o escolhido foi Luigi Musso.
Assim as duas maiores promessas italianas eram companheiros de equipe: Castellotti e Musso.


Da esquerda para direita: Fangio (de chapéu), Musso, Castellotti (com a camisa da seleção italiana),Harry Schell e Alfonso de Portago, em Sebring, 1956..apenas Fangio chegaria aos anos 60 dentre nós....
Musso terminaria sua primeira temporada na Ferrari em 11º lugar .


Musso e a Ferrari /Lancia D-50


Musso em Mônaco, 1956


No ano seguinte, viria um duro golpe para Musso, a Ferrari e a Itália: a morte de Eugênio Castellotti a 14 de março...Musso porém ficaria sozinho na Ferrari por pouco tempo,logo uma dupla de pilotos britânicos desembarca em Maranelo: Peter Collins e Mike Hawthorn.

Tem início a uma intensa rivalidade entre o italiano e a dupla inglesa. (anos depois,Fiamma Breschi,namorada de Musso, disse que os dois ingleses tinham um acordo, qualquer um dos dois que ganhassem o titulo, iriam dividir os ganhos de modo igual).
Isso forçou Musso a dar o seu melhor em nome dos italianos para bater os dois.
Musso havia conseguido dois ótimos segundos lugares nos GPs da Argentina e de Mônaco e um 7º lugar na Holanda;
6º prova, o GP da França, no circuito de Reims: Musso estava decidido a conseguir uma vitória finalmente...porém o harpin Muzione,na 10º volta, não deixou...Musso perdeu o controle da Ferrari e caiu em uma vala,fazendo-o ser arremessado para fora do carro.Na noite daquele dia,num hospital ao lado da pista, ele não resistiu aos ferimentos e nos deixou.Hawthorn venceu a prova...
Sobre aquele dia, Fiamma Breschi disse que uma cena a marcou para sempre: quando voltava do hospital para o hotel,após a morte do namorado, viu Collins e Hawthorn jogando futebol com uma lata de cerveja vazia alegremente...Collins morreria ainda em 1958 no GP alemão na fatal Nurburgring Nordschife... Hawthorn seria campeão em 58... seria o primeiro e último título dele, que morreria em janeiro de 1959 num acidente de carro fora das competições......


A Ferrari de Musso após o acidente fatal em Reims










domingo, 21 de julho de 2013

Eugenio Castellotti

Fino, elegante, galanteador; Seus modos contrastavam com seus companheiros naqueles primeiros anos da era da F-1;Eram típicos de quem nascera em uma família rica, poderia passar facilmente por um membro da nobreza;Dotado de um talento excepcional nas pistas, era a mais promissora esperança dos italianos após Ascari e Farina... mas uma aposta estúpida de seu chefe o vitimou fatalmente; seu nome era Eugenio Castellotti.



Eugenio Castellotti nasceu em 10 de outubro de 1930, na pequena cidade de Lodi, na Lombardia;
Eugenio vinha de uma abastada familia de Milão,e embora tivesse crescido em meio ao caos da II Guerra Mundial, teve uma infância e adolescência relativamente tranquila;
Milão era nesse época a meca automobilística da Itália: sua proximidade com o mitológico circuito de Monza e o fato de ser a casa da mais importante fábrica de carros esportes da Itália,a Alfa Romeo contribuíram para isso; A época do nascimento de Castellotti,era fascinada pela disputa entre o italiano Tazio Nuvolari e sua Alfa Romeo P3 contra o alemão Rudolf Caracciola e sua Mercedes prata;
Tazio era um  herói nacional e influenciou muito o jovem Castellotti;


Nuvolari e a Alfa Romeo P3 em ação nos anos 30

Aos vinte anos, no verão de 1950, Castellotti compra seu primeiro carro, e não era qualquer carro.. a maioria dos jovens italianos mal podiam comprar um surrado Fiat Topollino pré-guerra como primeiro carro,mas o de Castellotti foi uma Ferrari!
A Ferrari estava se firmando como uma grande marca, nas pistas e nos seus modelos de rua; criação de Enzo Ferrari (que foi piloto e chefe da scuderia de Nuvolari: as Alfas dele tinham o "Cavallino Rampante" pintado ao lado do Quadrifoglio milanês);
Com sua Ferrari, Castellotti começa a competir oficialmente em 1951; ano do titulo mundial de F-1 de Giuseppe Farina e sua Alfa Romeo;
em 1952 veio a primeira viória de Castellotti e sua Ferrari como piloto privado,(correndo com carro próprio e não de equipe) : o GP de Portugal.
Ao chegar em 2° na dificil prova da Mille Miglia de 1953, despertou interesse de uma fábrica italiana que havia decidido seguir os passos da Alfa Romeo e Ferrari  na F-1: a Lancia.


Castellotti e a Lancia D-50 de F-1 1955.

Castellotti disputaria a temporada de 1955 com a D-50; era um carro
rápido e bonito, criação do mítico engenheiro da Lancia, Vittorio Jano.
A Ferrari nessa época encontrava sérias dificuldades para se manter competitiva; as Alfas já não estavam mais em ação e a Lancia tornou-se a única capaz de enfrentar as W-196 da Mercedes Benz, que dominavam em todas as pistas;
Porém, ainda em 1955 a Lancia se viu em dificuldades financeiras; Enzo Ferrari vê uma oportunidade única:  trazer para sua equipe, motores,chassis e o trio que fez as Lancias D-50 respeitáveis: Castellotti e Alberto Ascari no volante e Jano na prancheta.


A nata da Lancia : Jano(1° a direita,de chapéu), Castellotti (a seu lado),Alberto Ascari e Luigi Villoresi (último a esquerda)

Assim 1955 estava relevando a promessa de vitórias na temporada seguinte para a scuderia de Maranello, mas um triste episódio marcou de forma negativa aquilo que parecia um sonho italiano:
Castelloti iria testar a novísssima Ferrari 650 Superleggera em Monza; tudo preparado para o teste começar,mas eis que chega Alberto Ascari; este pede para dar umas voltas com o carro antes do almoço.Diante do pedido de seu mentor, e idolo,Castellotti concorda e empresta seu capacete a Ascari..era dia 26 de maio de 1955...minutos após entrar no carro, Ascari se choca violentamente em uma curva e morre,(esta curva hoje tem o nome de "Variante Ascari" em sua homenagem);Uma semana antes, no GP de Monaco, Ascari havia escapado da morte depois de seu Lancia ter caido no mar, após um choque na chicane do porto;


Ferrari Superleggera 1955/1956, que vitimou Ascari

A morte de seu mentor deixa Castellotti profundamente abalado e marca uma terrivel rotina que abateria Enzo nas próximas décadas:a perda de grandes pilotos.


O Comendador Enzo e Castellotti




1956 se inicia, e Castellotti está no esquadrão de elite do automobilismo.. o posto de  piloto da Ferrari; vitorias e atuações brilhantes em provas como 24 Hs de Le Mans,Mille Miglia,12 hs de Sebring e tudo isso ao lado de ninguém menos que Juan Manuel Fangio, que fora contratado pela Ferrari após a retirada das pistas da Mercedes Benz, ocasionado pela tragédia de Le Mans 1955 (ver post sobre Pierre Levegh);
Somado ao sucesso nas pistas, Castellotti estava casado com a bela atriz e bailarina italiana, Delia Scala.


o belo casal : Castellotti e Delia Scala


Castellotti e a Ferrari 156 F-1 em Mônaco,1956

A dupla Enzo Ferrari e Eugênio Castellotti é o orgulho italiano, Castellotti é considerado o "nuovo Ascari".. nada parece ofuscar ou ameaçar o poderio italiano;nenhuma outra equipe de nenhuma outra nacionalidade parece fazer frente aos carros vermelhos "made in Italy";
A não ser outro carro vermelho italiano, e feito em Modena também;
1957: um novo concorrente surge para a Ferrari: sua vizinha Maserati
a Maserati havia estreado na F-1 na temporada de 1954,mas em 1957 finalmente sua obra máxima estava pronta e aprimorada, a 250 F;
a equipe de Adolfo Orsi roubara Fangio de Ferrari, para fazer dupla com o francês Jean Behra.


Fangio e a Maserati 250 F 1957

O circuito de Modena era o território da Ferrari, o recorde da pista lhe pertencia a anos, até o temperamental francês Behra ameaçar quebrá-lo com sua 250 F;Enzo não admitiria isso e apostou com Adolfo Orsi que Castellotti seria sempre mais rápido;  Enzo convocou Castellotti, que interrompeu suas férias com a esposa na Florença para atender um pedido egocêntrico de seu chefe;
14 de março de 1957, 8:00 hs da manhã; Castellotti entra na sua Ferrari pela última vez, começa a sua volta, em ritmo de classificação para atender o que Enzo queria, e então o desfecho trágico; a brutal batida quando a Ferrari desgarrou no Circollo della Biella; numa desaceleração de 137 km/h; a Ferrari com Castellotti voou por 91 mts e se chocou contra um muro de uma área coberta; Ele teve morte instantânea por uma fratura no crânio;


Notem onde parou a Ferrari de Castellotti

Quando soube da tragédia, Enzo Ferrari teria dito: "Castellotti è morto? no! nooooo! e la macchina?
A aposta que havia sido feita entre Ferrari e Orsi? quem perderia pagaria o café; Isso revoltou Luigi Villoresi, veterano e amigo de Castellotti, a ponto deste nunca mais na vida ter dirigido a palavra a Enzo Ferrari;

Tudo isso ficou perdido na noite dos tempos; a rivalidade entre Alfa Romeo,Maserati,Ferrari e Lancia não existe mais, são todas irmãs debaixo das asas protetoras da FIAT;
Não existem mais homens como Enzo, Orsi, Jano; nem pilotos como Castellotti;
Mas seus feitos permanecerão eternos, como marcos de coragem e romantismo;
Castellotti foi sem dúvida, depois de Ascari e Farina, o maior piloto italiano da F-1























domingo, 25 de setembro de 2011

Lella Lombardi

O automobilismo vem despertando cada vez mais o interesse feminino, e hoje vemos mulheres talentosas como Danica Patrick e Bia Figueiredo se destacando nas pistas da F-Indy;Mas para isso ocorrer, algumas heroínas desbravaram o caminho,numa época em que a presença feminina nos autódromos, se limitavam a mulheres de pilotos e membros de equipes;Dentre essas desbravadoras, destaca-se Lella Lombardi.



Lella nasceu Maria Grazia Lombardi, em 26 de março de 1941, na cidade de Frugarolo, Piemonte, Itália; Era filha de um simples açougueiro local e quando jovem, praticava handbol;Durante uma partida desse esporte Lella se feriu e foi conduzida as pressas para um hospital por um colega;durante o trajeto, feito de carro em alta velocidade, Lella foi "infectada" pelo vírus do automobilismo. Juntou economias durante anos, e finalmente comprou um Fiat de segunda mão, para começar a competir em provas de turismo.
  
No início dos anos 60 começa a competir pela Escuderia Moroni, nas provas do Campeonato de Turismo Italiano; em 1968 estreou na Fórmula 875 Monza (categoria monoposto com motor bicilindrico utilizado no Fiat 500 Giardinetta);
em 1970 disputou a temporada de Fórmula Ford italiana, sendo 3° colocada no final do ano; em 1972 competiu de F-3 italiana, sendo a 10° classificada geral;em 1974 estava na F-5000 inglesa,quando alcançou a categoria maior, a F-1. Estreia no GP da Inglaterra daquele ano, com uma velha Brabham BT 42,porém não se classificou para o grid.


Lella e a velha Brabham BT 42

O ano de 1974 foi um aprendizado para Lella,era a primeira mulher em muitos anos a tentar enfrentar os gigantes na F-1;Porém seu destino mudaria em 1975: Vittorio Zanon, um milionário conde italiano, comprara a vaga deixada por Victorio Brambilla na March, e assim Lella estréia com o carro laranja no GP da África do Sul,no tenebroso circuito de Kyalami; e consegue uma façanha: se classifica a frente de Graham Hill e Wilson Fittipaldi!


Lella no March n°10 em 1975

Na segunda prova, o GP da Espanha, em Montjuich, seu March passa a ser vermelho e branco, com patrocinio da Lavazza;Esta prova passa para a história por dois fatos: o grave acidente sofrido por Rolf Stommelen,que chocou seu carro contra o guard-rail, matando 5 espectadores e a conquista de Lella;Depois do acidente de Rolf, a direção de prova decide encerrar a mesma,já haviam passado dois terços da corrida e assim o resultado foi validado, Lella estava em sexto ,tornando-se a única mulher até hoje a pontuar na F-1.
Em 1976 Lella passa a correr pela RAM,usando modernos Brabham BT 44B,Foi sua última temporada de F1. No ano seguinte disputou provas de Nascar nos EUA (em Daytona) e provas de esporte-protótipos pela Europa.

Lella e o Brabham BT 44 da RAM em Zeltweg, Austria 1976


Lella pilotando um Renault Alpine A 110 

Lella competiu até o final dos anos 1980, quando foi diagnosticada com câncer; Lutou contra a doença com a mesma disposição que correu,mas a doença a derrotou em 3 de março de 1992;Lella, a pequena italiana voadora,a mulher que ousou disputar com os grandes, se despedia desse mundo com 51 anos de idade.










domingo, 31 de julho de 2011

Ignazio Giunti

Ele é o terceiro do trio de grandes pilotos italianos do final dos anos 60 que pereceram de modo trágico, antes de alcançarem a glória,seu nome: Ignazio Giunti.
Ignazio Giunti nasceu em Roma, em 30 de agosto de 1940;Seus pais,Pietro e Gabriella Giunti, tinham origem nobre, eram ricos e donos de uma vasta rede hoteleira na Calábria.
Isso proporcionou uma educação melhor e uma vida tranquila a Ignazio, que poderia ter sido um bem sucedido empresário da hotelaria,mas ele havia se apaixonado por outro mundo, o das corridas de automóveis.


                                                                 
                                                                      Ignazio Giunti


Começou a competir,escondido dos pais, aos 20 anos de idade, com uma Alfa Romeo Giulia TI alugada,chegando em 3° na sua classe logo na prova de estréia.
Competiu nas provas de turismo a bordo de BMW 700, Fiat Abarth 850 C,mas o carro de turismo que mais alegria lhe deu foi a Alfa Romeo GTA; com ela ganhou o titulo de "Rei de Vallenunga", o mítico autodrómo romano (que hoje leva seu nome).


                                                    
                                                     Giunti e o GTA em Vallenunga,1967


Em 1966, Giunti começa a competir em provas de protótipos, das quais se tornaria especialista, a exemplo de seus compatriotas Bandini e Scarfiotti.
LeMans, Sebring,Vallenunga,Targa Florio,Daytona:nenhuma guardava segredos que Giunti não sabia; 3° em LeMans 1968, fazia uma união quase espiritual com sua Alfa Romeo T33.


                                                             
                                          Giunti e o Alfa Romeo T33 em Daytona 1969


Em 1969, começa a competir pela casa maior italiana, a Ferrari; e com a mítica 512S, venceu Targa Florio e Sebring em 1970, foi 2° nos 1000 km de Monza,4° no 1000 km de Spa e vencedor das 9 hs de Kyalami na África do Sul, já a bordo da nova 512M




                                                Giunti e a Ferrari 512 em Daytona 1970


                                                                    
                                        Giunti e a Ferrari 512 LM em Nurburgring Nordschife 1970


Seu talento a bordo dos protótipos do cavallino rampante logo o fazem pilotar para a fábrica de Maranello também na F-1, onde fez apenas 4 corridas ainda em 1970, mas como uma estréia arrebatadora em Spa,na Bélgica: 4°lugar.


                                                                  
                                       Giunti e a Ferrari 312 B V-12 de F1 em Spa 1970


Vem o ano de 1971, e com ele muitas esperanças para Giunti, que se firmava como grande piloto;para a Itália, era a esperança de um novo herói,após as partidas trágicas de Lorenzo Bandini e Ludovico Scarfiotti.A prova de abertura do calendário de protótipos era os 1000 km de Buenos Aires e Giunti era favorito, com sua Ferrari 312 PB.


                  
            Giunti e a Ferrari 312 PB em Buenos Aires, instantes antes de seu trágico destino.


A Ferrari havia inscrito a 312 PB, revezando a pilotagem entre Giunti e seu compatriota, Arturo Merzario;Com Giunti ao volante, a Ferrari estava na frente do mítico Porsche 917 K,pilotado pelo mexicano Pedro Rodriguez. Giunti decide abrir vantagem em rítimo de volta de qualificação antes de ir para os boxes,cumprir o revezamento,e na 36° volta, ocorre a tragédia;
O Matra-Simca MS 660 de Jean Pierre Beltoise fica sem gasolina na saida da curva Horquilla, a ultima antes da entrada dos boxes;O Matra para do lado esquerdo da pista,e como a entrada era do lado direito,Beltoise decide fazer uma das manobras mais imbecis da história: atravessar a pista empurrando seu carro;Ignorando o apelo dos fiscais de pista,que agitavam freneticamente suas bandeiras amarelas, o francês começa sua burrice e então, apontam na curva duas Ferraris: a 512 M pilotada pelo inglês Mike Parkes e Giunti em sua 312 PB.
Parkes,pelo lado interno da curva, visualiza o Matra em cima e consegue desviar por milimetros;Giunti não tem a mesma sorte: a 312 PB se choca violentamente contra a traseira do Matra e explode;Giunti é retirado do monte de aço retorcido em chamas que outrora era uma Ferrari, com 70% do corpo queimado; Morre ao dar entrada no Hospital Central de Buenos Aires. Beltoise foi considerado culpado pela sua morte, e a justiça argentina o baniu de competições naquele pais, e num espaço de 4 anos, a Itália chora a morte de seus 3 grandes pilotos, abrindo uma ferida e criando um trauma que nunca foi superado. A Águia Asteca, alusão ao seu capacete, já não voava mais.


                                            
                                           a Águia Asteca pintada no capacete de Giunti


                       
                           Video mostrando a manobra estúpida de Beltoise e a morte de Giunti






                                              O acidente fatal de Giunti visto de outro ângulo

sábado, 25 de junho de 2011

Ludovico Scarfiotti

Se no post anterior relembramos um pouco de Lorenzo Bandini,natural que o próximo fosse sobre um grande amigo seu, compatriota,companheiro de Ferrari e igualmente talentoso : Ludovico Scarfiotti.
Scarfiotti nasceu em 18 de outubro de 1933 em Turin, o centro automotivo da Itália;desde jovem esteve ligado aos automóveis; Seu avô foi um dos nove membros fundadores da FIAT e presidente da mesma;
                                                                 Ludovico Scarfiotti

Scarfiotti era membro da triade de pilotos italianos extremamente talentosos e com finais trágicos: (Lorenzo Bandini-Ignazio Giunti-Ludovico Scarfiotti)
Ganha projeção nas pistas no ínicio dos anos 60;Chega em 3° nos 1000 kms de Paris em 1963 e junto com seu amigo e parceiro Bandini vence as 24 Hrs de LeMans do mesmo ano, a bordo de uma Ferrari 250 LM,escrevendo seu nome como um grande especialista em provas de longa duração;
Scarfiotti a bordo da Ferrari 250 LM em LeMans 1963

Em 1965 vence a dificílima 1000 km de Nuburgring, a bordo de uma Ferrari 330 P2, em parceria com John Surtess;Scarfiotti se torna o piloto n°1 da Ferrari em provas de protótipos em 1966; LeMans,Targa Florio,Nuburgring,Spa eram simples passeios matinais para Ludovico.
Em 1965 John Surtess deixara a Ferrari, e Scarfiotti o substituiria também na F-1;
Correu 12 GPs e venceu uma prova, mas essa valeria por um campeonato, o GP da Itália em 1966. Milhares de italianos correram para saudar seu herói; após 15 anos um italiano vencia em sua pátria e a bordo de um carro italiano,o mais italiano de todos: uma Ferrari;
Em 1967, Scarfiotti sofreria um duro golpe,a morte de seu amigo Lorenzo Bandini em Mônaco;
Scarfiotti a bordo da Ferrari 312 de F1 em 1966

Scarfiotti e a Ferrari 330 P4 em LeMans 1967

A tragédia que abatera seu amigo o alcancaria um ano depois nos Alpes alemães; Durante uma prova de hillclimbing em Berchtesgaden, Alemanha, Scarfiotti, pilotando um Porsche 910 roda em uma curva, bate e capota; seu corpo é lancado a 15 jardas de distancia;Morre na ambulância, em decorrência de inumeras fraturas; analises posteriores mostram que os freios do Porsche falharam e que Scarfiotti tentou freiá-lo por 55 metros antes de se chocar com as árvores; E assim,no espaço de um ano a Itália perdia seu dois grandes heróis. um duro golpe do qual jamais se recuperou...

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Lorenzo Bandini

Já se vão 57 anos desde o último italiano campeão na F-1 (Ascari em 1953, com uma Ferrari);Apesar de produzir os mais desejados e vencedores carros de competição, a Itália não conta com um representante a altura;Talvez grande parte disso, deve-se a perda trágica de uma de suas maiores esperanças : Lorenzo Bandini.

                                  Bandini a bordo de sua Ferrari



Lorenzo nasceu em Barce, na Cirenaica, Líbia, em 1935,quando essa era uma colônia italiana, anexada pelo "Duce" Mussolini,aos 4 anos de idade, sua familia muda-se para Firenze; Lorenzo sofre um duro golpe aos 15 anos,a morte de seu pai; com isso,Bandini se muda para Milano e lá se emprega de aprendiz de mecânico em uma oficina de carros e motos de competição da familia Freddi;(Isso lhe valeria um conhecimento excepcional e o tornaria um exímio acertador de carros).
Começa a competir em 1957, a bordo de um Fiat 1100; ainda em 1957, vence a Mille Miglia,na sua classe, com uma Lancia Appia Zagatto; Daí para a Fórmula Jr,(acesso para a F1 na época) foi um "piccolo" salto, e em 1960 sagra-se campeão mundial da categoria.No ano seguinte,estréia na F1, a bordo de um Cooper-Maserati T53, da Scuderia Centro Sud;

                              
                            Bandini no CooperT53-Maserati, em 1961

Mas em 1961,uma tragédia mudaria seu destino; Wolfang Von Trips, o promissor alemão da Ferrari, (incrível a semelhança física dele com um outro alemão vencedor na Ferrari décadas depois: Michael Schumacher)morre em um acidente no GP da Itália, em Monza,penultima prova do mundial;
Com isso, Enzo Ferrari,sem um segundo piloto (o campeão Phil Hill era o 1°),decide que apostaria em Lorenzo; Um piloto italiano em um carro italiano novamente com chances de ser campeão mundial.Em 1962,Bandini estreia a bordo da Ferrari 156 de n° 2; em 1963, em parceria com outro italiano,Ludovico Scarfiotti, vence as 24 Horas de Le Mans, a bordo de uma Ferrari Dino (Bandini se tornaria um piloto vencedor em provas dessa categoria,longa duração,vencendo a Targa Florio em 1965, e as 24 Horas de Daytona em 1967)
                    Bandini chegando a Le Mans 1963 em um Peugeot 404

Em 1963, Bandini se casa com Margherita Freddi;a jovem, que observara anos antes o jovem Lorenzo,coberto de graxa, entre os carros na oficina, que era de seu pai..Se mudam para Maranello, sede da Ferrari; em 1964, vem sua 1°(e única) vitória em um GP de F-1, na Áustria;1965 e 1966 não são boas temporadas para Bandini,que vê 1967 começar com uma esperança: a nova Ferrari 312; um carro finalmente competitivo, capaz de bater as então insuperáveis Lotus 49;

                                 
                                   Bandini e a Ferrari 312 1967

Chega o GP de Mônaco, segunda prova do calendário, em 10 de maio; Bandini faz dupla na Ferrari com Cris Amon,e enfim é o 1° piloto da casa de Maranello; é uma corrida extremamente longa, a Ferrari n°18 está em segundo, atrás de Dennis Hulme e sua Brabham, e então vem a volta 82;
Bandini sai da Chincane do Porto (onde hoje é a saída o Tunnel do Hotel), a Ferrari derrapa,bate na proteção de fardos de feno (sim, feno, como numa fazenda!) e explode; Bandini fica preso as ferragens;os fiscais despreparados o arrancam do carro sem cuidados,apagam o fogo de seu corpo com extintores e então ocorre uma segunda explosão; Bandini tem 70% de seu corpo queimado,fraturas em 10 partes de suas pernas; é levado ao hospital de Lyon, especializado em queimaduras,é atendido por médicos vindos da Inglaterra,  mas não resiste e falece, após lutar por 3 dias; A Itália sofre um duro golpe; seu idolo maior está morto.


                               A Ferrari de Bandini em chamas


                             Vídeo do acidente fatal de Bandini

Algo inédito para a época ocorreu : 100 mil pessoas foram as ruas de Reggiolo, Itália para acompanhar o cortejo fúnebre de seu herói nacional;Enzo Ferrari,Il Comendatore, o homem com fama de ter o coração duro,chorou sua perda.Hoje, passados 47 anos,poucos ouviram falar do último italiano voador que pilotou uma Ferrari de F1...

                              
                   Jornais da época com a notícia : Bandini poderia ser salvo