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domingo, 23 de fevereiro de 2014

Bernd Rosemeyer



Alemanha, anos 30; Os Nazistas haviam tomado o poder,a histeria de uma grande nação
germânica tomava conta de muitos; Assim todas as glórias e conquistas de um alemão eram
prontamente  ursupadas como propaganda de um regime tenebroso; É nesse cenário que surge um dos maiores pilotos alemães de todos tempos : Bernd Rosemeyer.



Rosemeyer nasceu na pequena cidade de Lingen, na Baixa Saxonia, em 14 de outubro de 1909;
Seu pai era dono de uma pequena oficina, onde Bernd começou a trabalhar logo cedo;Eram tempos difícies de fato, a Alemanha havia perdido a Primeira Guerra, e duras imposições lhe foram feitas;Sua economia era o caos e grande parte da população vivia na pobreza.

Em 1930, aos 21 anos, Rosemeyer começou a competir com motos,sua grande paixão;
Foi contratado pela Zundapp para disputar o Speedway, campeonato de motos disputado em circuitos de terra. No ano seguinte passa a pilotar motos BMW em autódromos normais.
Mas a partir de 1934 vem a grande consagração... Bernd era piloto de motos da DKW,uma das 4 marcas que formavam a Auto Union ( juntamente com Horch,NSU e Wanderer).

E a Auto Union apesar de ter um carro simplesmente extraterreno para aquela época, o Typ C V-16, criado pelo genial professor Ferdinand Porsche, não conseguia bater sua compatriota Mercedes-Benz e sua W-125 guiada pelo lendário Rudolf Carraciola...ainda assim, as "flechas de prata",Mercedes e Auto Union estavam anos luz a frente dos "antiquados" rivais Alfa Romeo e Bugatti;
Mas apesar da Auto Union ser quase um OVNI, nenhum piloto conseguia controlar o modelo com motor central de inacreditáveis 500 cv!!!!

Porsche então pede aos engenheiros da Auto Union para testar novos pilotos, e assim Rosemeyer,que nunca havia guiado um carro de corridas,muito menos um como o Typ-C, foi convocado para o teste..

Nurburgring Nordscheife, o mitico "green hell";após 6 voltas no monstro V-16, Rosemeyer pulveriza os tempos feitos por todos os outros pilotos que já haviam passado pela Auto Union,incluindo Hans Stuck (pai do homonimo que correu na F-1 dos anos 1970);
Os técnicos e engenheiros da Auto Union paralizaram diante do feito; finalmente haviam achado alguém capaz de domesticar o dragão e guia-lo suavemente;


Rosemeyer e o monstruoso Auto Union Typ C V-16, que podia chegar a mais de 400 km/h, em 1935!!!!!!!

No GP alemão de 1935, em Nurburgring Nordscheife, Rosemeyer chega em 2º,apenas a 1,9 segundos de Caracciola e o W-125... e isso era apenas sua 2º prova oficial...

Sua primeira vitória vem ao final do ano, no circuito checo de Brno;
E nessa corrida, Rosemeyer conquista não apenas sua primeira vitória,mas o amor de sua vida, a jovem Elly Beinhorn






Casamento de Rosemeyer e Beihorn

Beihorn era uma aviadora famosa, a única mulher a cruzar o oeste da África,sobrevoando o deserto do Saara; Em 13 de julho de 1936 eles se casam.

Mas a Alemanha estava sob o dominio do mal.Toda e qualquer glória alemã deveria ser imediatamente usada como propaganda para demonstrar a superioridade nazista sobre o resto do mundo, as Olimpiadas de Berlin neste mesmo ano seria a demonstração máxima disso, e o casamento de dois grandes idolos do esporte alemão,não poderia passar sem ser usado pelos nazistas.

Himmler, o carniceiro chefe das temidas SS,vê nos pilotos alemães um poderoso instrumento de demonstração de poder, e assim os obriga a se filiar ao National Socialist Motor Corps; Rosemeyer é forçado a aceitar a filiação, mas teria dito:"jamais vestirei esta farda"(Em realidade, Rosemeyer odiava o nazismo e Hitler,pois temia que a Alemanha se visse novamente em uma guerra).
13 dias depois de seu casamento,(13 era seu número da sorte),Rosemeyer tem a atuação, que muitos consideram a mais brilhante de sua carreira,novamente guiando em Nurburgring;
Era o GP alemão de 36, a Auto Union vinha liderando com a Mercedes na cola, quando uma neblina começou a descer sobre a pista;logo se tornara um denso nevoeiro; Todos começaram a diminuir,muitos pararam;mas Rosemeyer não,ele continuou a guiar a Typ-C por Green Hell quase sem visão, voando pela Antoinus Busch a mais de 300 km/h; Era algo incrível,Rosemeyer parecia guiado por olhos sobrenaturais; a visibilidade não passava de 30 metros, mas Rosemeyer cruzou a linha em 1º, mais de 2 minutos a frente de Carraciola!
Desse dia em diante, ganhou o título de "Neibelmeister", o mestre da neblina;

O nº 13 o seguia de fato, sua última vitória em Nurburgring foi em 13 de julho de 1937, e sua última vitória na vida, a 13º da carreira foi em Donnington Park, diante de 50 mil ingleses estupefactos diante da imensa superioridade do Typ-C perante seus Sunbeams...

28 de janeiro,1938: O recorde de velocidade era dos alemães; ora do Auto Union, ora da Mercedes Benz...

era uma manhã fria, e na Autobahn Frankfurt-Darmstadt, a Auto Union levara sua Typ-C Streamline para bater mais uma vez o recorde de velocidade; A Streamline era um TypC com carrenagem aerodinâmica,que prometia passar do 400 km/h!



Typ-C Streamline 1937-1938

Um dia antes, Carraciola e a Mercedes Benz haviam chegado,no mesmo trecho da Autobanh a estrastosféricos 428 km/h ! ( impressionante estas marcas para os dias de hoje, quando o carro mais veloz de série,o Bugatti Veron chega a 401 km/h;o que dirá a 80 anos atrás...)

Rosemeyer entra em sua Typ-C;eram 11:47 da manhã.... o motor V-16 rosnava em alta rotação.400,405,410,415,420;434 km/h.. o Auto Union começa a se descolar do chão;pode ter sido uma rajada de vento,uma ondulação, mas o Typ C decola ao ar; arremessa Rosemeyer a centenas de metros. que cai, encostado ao barranco, como se estivesse sentado; Todos correm em sua direção,ainda estava vivo, mas por poucos minutos...

Rosemeyer morreu tentando um recorde de velocidade,não pelos nazistas,não por seu pais,mas porque amava ela, a viciante velocidade;
Não sobreviveu para ver o que mais temia, outra guerra,a loucura e crueldades nazistas e a quase total destruição de seu  pais;
Sua mulher e seu filho,nascido em novembro de 1937 sobrevivem a guerra (Elly morreu em 2007 aos 100 anos de vida);
Bernd Rosemeyer era um homem simples, que queria apenas ganhar corridas, mas foi vitima como milhões de outros seriam,de um regime nefasto.



O que sobrou do Auto Union de Rosemeyer



Memorial no ponto que o Auto Union levou a vida de Rosemeyer


O V-16 da Auto Union, soando como um grito de desespero de uma nação condenada..




segunda-feira, 23 de abril de 2012

Pierre Levegh

Ele tinha tudo para ter passado para a história pelo seu talento, mas infelizmente, ficou como o protagonista do pior acidente da história do automobilismo;
Pierre Levegh nasceu Pierre Eugène Alfred Bouillin, em 22 de dezembro de 1905, em Paris, França

Pierre Levegh

Adotou o nome Levegh em homenagem o tio, pioneiro das corridas, que morreu em um acidente em 1904, um ano antes de seu nascimento;Além de piloto,Levegh também  jogou hockey no gelo e tênis; Mas os carros foram sua grande paixão, e na 1° temporada de F1, em 1950, começou a competir com um Talbot-Lago; A essa época, a mítica prova das 24 hs de Le Mans estava no calendário juntamente com a F-1; com o Talbot, Levegh foi 14° na prova de 1951 e em 1952 abandonou por quebra; em 1953 foi 18° e em 1954 se envolveu em uma batida após 17 horas de corrida;
Mas 1955 prometia; Levegh iria pilotar a maior máquina da época, a Mercedes Benz 300SLR; a versão carenada da W-196 de F-1


A mítica Mercedes 300 SLR de 1955

As 24 hs de LeMans de 1955 tinha tudo para ser uma prova excepcional, com um embate entre a inglesa Jaguar, a italiana Ferrari e a alemã Mercedes, as 3 com seus modelos mais emblemáticos de todos os tempos (pela ordem): D-Type,121 LM e 300 SLR.
A Jaguar tinha como pilotos, o inglês Mike Hawthorn e o novato Ivor Bueb; a Ferrari o grande piloto italiano Eugênio Castellotti,e o americano Phill Hill; a Mercedes trouxe dois carros; um para a dupla Juan Manuel Fangio(ARG) e Stirling Moss(GBR);os maiores pilotos da época e dois dos maiores de todos os tempos; e um para a dupla Jonh Fitch (EUA) e Pierre Levegh.
com 49 anos Levegh via uma chance para se  tornar vitorioso: tinha simplesmente o melhor carro de todos, para quem em 1952 conduziu seu Talbot por 22 horas seguidas sem troca de pilotos e quebrou justamente em 1° lugar, uma vitória era mais que possivel;

As 16 hs do sábado, dia 11 de junho de 1955, começa a prova: Castellotti e sua Ferrari largam em 1°; Fangio e Hawthorn imprimem um ritmo alucinante: chegam a rasgar a grande reta Hunaudières a 300 km/h; mais que uma disputa automobilistica, era uma disputa incurada da 2°Guerra Mundial; Hawthorn estava decidido a impedir que um carro alemão ganhasse de um carro inglês.


Castellotti com a Ferrari n°4, seguido de Hawthorn no Jaguar n°6 e Fangio na Mercedes n°16


Duas horas e meia de prova, volta n°34: Hawthorn está em 1°, seguido de Fangio em sua Mercedes, O Jaguar n°6 está próximo de fazer seu 1° pit stop; Hawthorn decide pisar o máximo que pode para abrir uma vantagem que o permita voltar dos boxes ainda na briga pelo 1° lugar, (algo desnecessário em uma prova com 24 hs de duração);
Ele acelera seu Jaguar ao máximo, e a 100 metros dos boxes, se valendo dos poderosos freios a disco da Girlling, freia repentinamente;Mas havia um detalhe que Hawthorn não considerou:para esta manobra ele ultrapassou um carro mais lento, um Austin-Healey A-100 de  categoria menor(em Le Mans, disputam-se várias classes de automóveis ao mesmo tempo); O Austin guiado por Lance Macklin estava a no máximo 180 km/h e viu a traseira do D-Type crescer a sua frente; sem conseguir frear e para desviar do Jaguar, joga para sua esquerda; apontam as 2 Mercedes na reta a 260 km/h : Levegh que estava levando uma volta dos lideres vinha a frente e Fangio logo atrás; Levegh não consegue desviar do Austin e decola sobre sua traseira: a Mercedes voa sobre a arquibancada;capota inumeras vezes e explode; seus destroços em chamas matam Levegh(que teve o crânio fraturado) e mais 87 espectadores; 79 pessoas ficam feridas; corpos em chamas voam  para a pista diante de fiscais e mecânicos aterrorizados;
Há pânico generalizado; muitos correm para as saidas da arquibancada e morrem pisoteados;
o corpo de Levegh foi achado a 70 metros de onde parou o que sobrou do 300 SLR; o clima no autodrómo é horrendo; Mas o diretor de prova Charles Faroux, na decisão mais criticada e condenada da história, decide que a prova vai proseguir; Alfred Neubauer, o emblemático chefe de equipe da Mercedes vai até os boxes da Jaguar;Em um ato de cavalheiro, diz que vai se retirar da prova e solicita o mesmo ;No entanto,a equipe inglesa decide continuar na prova e vence com Hawthorn; no podio,ele bebe a champagne da vitória,ato que revoltou a França; porém nos boxes, a realidade cai: ele tem uma crise de histeria e diz que não quer pilotar mais; Após a prova,os 4 GPS seguintes são cancelados,incluindo o da Suiça, que baniu as provas de automobilismo para sempre de seu território; A Mercedes Benz se retira das competições para retornar somente 40 anos depois;
Ninguém foi responsabilizado pelo acidente de fato; De modo covarde, alguns insinuaram a culpa para Levegh, que morto não teria defesa.... e assim o "Bispo", como Levegh era conhecido, entrou para a historia; não por sua conduta sempre suave e gentil, não por seu talento, mas por ter se envolvido na maior trágedia já ocorrida nas pistas.


Vídeo com raras imagens da tragédia de Le Mans 1955




A tragédia vista de outro ângulo