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domingo, 25 de setembro de 2011

Lella Lombardi

O automobilismo vem despertando cada vez mais o interesse feminino, e hoje vemos mulheres talentosas como Danica Patrick e Bia Figueiredo se destacando nas pistas da F-Indy;Mas para isso ocorrer, algumas heroínas desbravaram o caminho,numa época em que a presença feminina nos autódromos, se limitavam a mulheres de pilotos e membros de equipes;Dentre essas desbravadoras, destaca-se Lella Lombardi.



Lella nasceu Maria Grazia Lombardi, em 26 de março de 1941, na cidade de Frugarolo, Piemonte, Itália; Era filha de um simples açougueiro local e quando jovem, praticava handbol;Durante uma partida desse esporte Lella se feriu e foi conduzida as pressas para um hospital por um colega;durante o trajeto, feito de carro em alta velocidade, Lella foi "infectada" pelo vírus do automobilismo. Juntou economias durante anos, e finalmente comprou um Fiat de segunda mão, para começar a competir em provas de turismo.
  
No início dos anos 60 começa a competir pela Escuderia Moroni, nas provas do Campeonato de Turismo Italiano; em 1968 estreou na Fórmula 875 Monza (categoria monoposto com motor bicilindrico utilizado no Fiat 500 Giardinetta);
em 1970 disputou a temporada de Fórmula Ford italiana, sendo 3° colocada no final do ano; em 1972 competiu de F-3 italiana, sendo a 10° classificada geral;em 1974 estava na F-5000 inglesa,quando alcançou a categoria maior, a F-1. Estreia no GP da Inglaterra daquele ano, com uma velha Brabham BT 42,porém não se classificou para o grid.


Lella e a velha Brabham BT 42

O ano de 1974 foi um aprendizado para Lella,era a primeira mulher em muitos anos a tentar enfrentar os gigantes na F-1;Porém seu destino mudaria em 1975: Vittorio Zanon, um milionário conde italiano, comprara a vaga deixada por Victorio Brambilla na March, e assim Lella estréia com o carro laranja no GP da África do Sul,no tenebroso circuito de Kyalami; e consegue uma façanha: se classifica a frente de Graham Hill e Wilson Fittipaldi!


Lella no March n°10 em 1975

Na segunda prova, o GP da Espanha, em Montjuich, seu March passa a ser vermelho e branco, com patrocinio da Lavazza;Esta prova passa para a história por dois fatos: o grave acidente sofrido por Rolf Stommelen,que chocou seu carro contra o guard-rail, matando 5 espectadores e a conquista de Lella;Depois do acidente de Rolf, a direção de prova decide encerrar a mesma,já haviam passado dois terços da corrida e assim o resultado foi validado, Lella estava em sexto ,tornando-se a única mulher até hoje a pontuar na F-1.
Em 1976 Lella passa a correr pela RAM,usando modernos Brabham BT 44B,Foi sua última temporada de F1. No ano seguinte disputou provas de Nascar nos EUA (em Daytona) e provas de esporte-protótipos pela Europa.

Lella e o Brabham BT 44 da RAM em Zeltweg, Austria 1976


Lella pilotando um Renault Alpine A 110 

Lella competiu até o final dos anos 1980, quando foi diagnosticada com câncer; Lutou contra a doença com a mesma disposição que correu,mas a doença a derrotou em 3 de março de 1992;Lella, a pequena italiana voadora,a mulher que ousou disputar com os grandes, se despedia desse mundo com 51 anos de idade.










quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Jo Siffert

O fato da Suiça ter banido as competições de automóveis em suas terras após o trágico acidente de Le Mans (França) em 1955,não impediu que dela surgissem grandes pilotos, e o mais talentoso piloto suíço sem dúvidas foi Jo Siffert.



Jo Siffert

Joseph Siffert (ou "Seppi" como era chamado pela família e os amigos mais próximos),nasceu em Fribourg, Suiça, em 7 de julho de 1936.
Seu pai era industrial de laticínios,mas a origem "rural" não impediu Jo de ir além; Começou sua jornada vencedora, competindo em 2 rodas (as competições de moto não estavam proibidas); preparou ele mesmo sua moto e começou a competir, em 1956,no Campeonato Suiço de Motos até 350 cc; em 1959 se tornou campeão da categoria.
Nesse mesmo ano, decidiu competir com automóveis, estreiando com um Fórmula Júnior (categoria de entrada, com motores 1000 ou 1100 cc -DKW ,Saab ou Fiat- e menos de 300 kg de peso),da equipe Stanguellini;
Em 1962 alcança a F1,pilotando uma Lotus-Climax FPF, pelo time privado Ecurie Nationale Suisse.,no mesmo ano se transfere para a Scuderia Filipineti .
Monta sua própria equipe para as temporadas de 1963 e 1964; em 1965 se junta ao inglês Rob Walker na Rob Walker Racing Team (chassi Brabham BT 11 e motores BRM,Climax, Ford e Maserati, de acordo com a temporada), onde permaneceu até 1969;
Por esse equipe venceu o GP do Mediterrâneo de 1964 e 1965,disputado no perigoso autódromo de Pergusa,na Sicilia e a maior glória, o GP da Inglaterra de 1968, a frente das duas temidas Ferraris 312 B de Cris Amon e Jacky Icxx; Esse feito passou para a historia da F1,pois foi a última vitória de um carro privado (ou seja de propriedade do próprio piloto e não de uma equipe ou fábrica).


Siffert também se destacou em provas de turismo/protótipo; de 1966 a 1970 disputou o Word Sportscar Championship (Campeonato Mundial de Protótipos) pela Porsche; venceu as 24 Horas de Daytona e as 12 Horas de Sebring a bordo de um 907;E os 1000 km de Nurburgring de 1966 a bordo de um 906.


Siffert e o Porsche 906 em Nurburgring,1966

Em 1970, vem o mítico 917; Siffert e o mexicano Pedro Rodriguez foram a dupla da Porsche que passa para a história,ao volante da lenda 917-K Gulf - Porsche


Siffert a frente e Rodriguez atrás : os 917 K e seus dois pilotos eternizados

Na F-1, Siffert disputa a temporada de 1970 na estreante March


Siffert e o STP March F1 1970

Mas o íncio da March era conturbado,desastroso para ser mais franco, e Siffert se muda pra a BRM, fazendo a dobradinha com Rodriguez também na F1.
A temporada de 1971 se inicia, e a BRM tem uma dupla de pilotos rápidos e talentosos;
em julho vem o primeiro golpe; Rodriguez morre em um acidente na pista de Norisring na Alemanha;com isso Siffert passou a ser o único piloto das duas equipes : BRM e Porsche.
Vence o GP da Áustria, em Zeltweg e chega em 2° no GP dos EUA, atrás de Francois Cevert e seu Tyrell ( em sua 1° vitória na F1); devido ao bom desempenho se classifca para o GP dos Campeões (prova que não contava pontos para o Mundial; corriam os pilotos que obtiveram as melhores posições na classificação ao longo da temporada);
Essa prova seria disputada na Inglaterra, no circuito de Brands Hatch; Brands então seria palco ironicamente da maior glória e do trágico destino para Siffert.


GP Austria 1971 : Siffert (BRM branca),Cevert (Tyrrell 12) Stewart (Tyrell 11) Clay Regazzoni (Ferrari) : apenas Stewart ainda está entre nós...


Siffert e a BRM em Watkins Glen 1971

Na primeira volta ainda, a BRM de Siffert  toca involuntariamente no March de Ronnie Peterson; isso ocasiona um dano na suspensão que seria fatal para Siffert voltas depois: Na 12° volta, a suspensão do BRM se quebra por completo, Siffert perde o controle e se choca contra um barranco na lateral da pista;o BRM explode de imediato, não dando chances de sobrevivência ao suiço; Os extintores de incêndio não funcionaram e as chamas devoraram-no...
Partia assim o talentoso, educado e afável Siffert; Graham Hill chorou dentro de seu cockpit a perda de um amigo..
Em Fribourg, 50 mil pessoas receberam o corpo de Siffert; na frente de seu cortejo fúnebre, veio aquele que ficara para sempre marcado como o mais perfeito parceiro de Jo: o Porsche 917 K...


                                  Siffert e o 917 K: unidos para sempre na pintura de Beacham Owen


                                                        
                                           Vídeo do acidente fatal de Siffert em Brands Hatch

domingo, 28 de agosto de 2011

Tom Pryce

Os anos 70 foram sem dúvida, os mais trágicos e sombrios da história da F1 e do automobilismo;Muitas vidas se foram em virtude da falta de segurança das pistas,de carros que eram verdadeiras armadilhas fatais, do despreparo de fiscais e comissários de prova; E foi a soma de todos estes fatores que provocaram o acidente mais tenebroso desse período,acidente que ceifou a vida de Tom Pryce.



Tom Pryce


Thomas Maldwyn Pryce nasceu em 11 de junho de 1949,na cidade de Ruthin, condado de Denbighsire, País de Gales; filho de Jack e Gwyneth Pryce. Seu pai havia sido piloto de bombardeiro da RAF na 2° Guerra Mundial (pilotava os temidos Avro Lancaster);sua mãe era enfermeira no posto de seu distrito.Seu irmão mais velho falecera quando Tom tinha 3 anos, o tornando filho único.
Pryce começou a se interessar por automóveis aos 10 anos, quando dirigiu uma van de padaria!Porém seu interesse maior era a aviação, e a exemplo do pai, ser um piloto da RAF;Anos mais tarde diria que desistiu por que não se achava "inteligente o suficiente" para pilotar um caça.
De criança, seu ídolo era o escocês piloto da Lotus, o mítico Jim Clark;assim quando este faleceu em Hockenhein em 1968, Tom teve sua primeira tristeza no automobilismo;Mesmo assim começou a competir de Fórmula Ford inglesa em 1969, estreando na prova de Mallory Park.Disputou as temporadas de 1969 a 1971 nessa categoria, sendo que na prova em Silverstone durante a temporada de 1970, venceu sob uma chuva torrencial, e deu inicio a fama de piloto imbatível em pistas molhadas; em 1973 disputou a F3, e em 1974 vem a grande chance, ser piloto de F1;estreiou a bordo de um mediocre Token, mas seu desempenho chamou a atenção da Shadow Cars; e assim Tom foi contratado para substituir Peter Revson ( que por uma macabra concidência falecera na mesma pista que Tom, Kyalami,pilotando a mesma Shadow de n°16);



Tom Pryce e seu Shadow F1 em 1975

A Shadow era um carro sinistro em todos os aspectos (a começar pelo nome,traduzido como sombra,espectro ou fantasma):era insegura,como a maioria dos F1 dos anos 70 e toda pintada na cor preta...
Pryce terminou a temporada de 1975 em 8° e a de 1976 em 10°.Então vem o ano de 1977; e Pryce tinha esperanças renovadas; a Shadow apresentara um novo modelo, (pintado em branco e azul);Era um carro mais estável e enfim daria alguma chance ao talentoso piloto galês.
3° etapa do mundial,em Kyalami, na conturbada África do Sul em pleno apartheid; dia 5 de março de 1977;Após uma quebra no GP do Brasil(2° etapa) Pryce alinha seu Shadow no grid de largada;Após um problema na largada, cai para último lugar,mas dá incio a uma arrancada excepcional, e em 20 voltas sobe para a 11°posição;


                                                        Pryce e a Shadow 16 em Kyalami,1977


21°volta:por uma trágica ironia, a Shadow de n°17, do companheiro de Pryce, Renzo Zorzi, para por problemas no motor na reta dos boxes; mal Renzo desce do carro,o motor incendeia-se; Então a tragédia se desenha: dois jovens e despreparados fiscais,atravessam a pista carregando pesados extintores;o primeiro escapa dos carros por pouco,mas o segundo, um jovem de 18 anos chamado Jensen Van Vuuren não tem a mesma sorte e é atingido em cheio pelo carro de Pryce, a 275 km/h; O impacto é tão brutal que o corpo de Jensen se desmembra ao meio; Pryce é bizarramente atinigindo na cabeça pelo extintor, que arranca seu capacete e fratura seu crânio por completo (a ponto de seu rosto se tornar uma pasta ensanguentada); O carro desgovernado,com um morto ao volante, continua em linha reta e atinge a Ligier de Jacques Laffite;O único galês a pilotar e vencer na F1 estava morto; Morrera ironicamente onde seu antecessor de equipe também perecera e no local onde milhares de seus compatriotas, soldados do 22° Regimento de Galeses Fronteriços haviam tombado,aos pés do monte Isandawana, em janeiro de 1879;
E da canção militar cantada por eles,tiro um verso que pode resumir o perfil galês de Tom Pryce
"Sempre pronto para a batalha;
 Um galês jamais se rende."




                           Vídeo do acidente fatal de Pryce: Atenção! as cenas são fortes...



Vídeo-tributo ao galês Tom Pryce



quinta-feira, 11 de agosto de 2011

David Purley

Muitos pilotos se destacaram por arrojo e agressividade;Outros por um estilo cerebral e calculado;Alguns por sua regularidade e equilíbrio, mas poucos,muito poucos se destacaram por um outro fator: solidariedade e companheirismo.Dentre estes, sem dúvida o nome maior é de David Purley.
David Charles Purley nasceu em Bognor Regis,condado de Essex,Inglaterra em 26 de janeiro de 1945.
Antes de se dedicar ao automobilismo,Purley serviu ao British Army(exército britânico),como paraquedista,em Aden, Yemen



David Purley

Seu pai, Charles Purley havia fundado a LEC Refrigeration, uma das maiores fabricantes de refrigeradores do mundo; e com o patrocínio dela que David começa a competir.
O inicio foi em provas de turismo, onde se destacou pilotando um AC Cobra ( a mítica criação de Carol Shelby, colocando um enorme motor Ford 429 V8 na carroceria do esportivo AC Ace inglês).


Purley e o AC Cobra em Lydden,1968 ( prova que terminou em 2°)

Competiu também com um Chevron B8, obtendo um 2° lugar em Snetterton,3° em Mallory Park e 4° em Thruxton, todas em 1969.


Chevron B8 1969, idêntico ao pilotado por Purley

Em 1970 começa a competir na F3 inglesa, onde conheçe aquele que seria seu grande amigo e protagonista da cena mais triste e ao mesmo tempo heroíca da F1, Roger Williamson.
Sua estréia foi a bordo de uma Brabham BT-28 de F3;competiu nessa categoria de 1970 a 1972;em 1971 disputou a pré temporada de F3 no Brasil, sendo 3° em Interlagos e 8° em Tarumã.


Williamson no carro 28,seguido de Purley no n°45 em prova
pela F-3 inglesa em 1971.

Em 1973, juntamente com seu amigo Williamson, estreia na F1, a bordo de um March 731, com o patrocinio das empresas da família;


Purley e o March 731 no GP da Inglaterra,1973

Sua primeira prova foi o GP de Mônaco;não foi o que se esperava,pois o March falhou na largada; seria uma temporada discreta, não fosse por um GP: o da Holanda,em Zandvoort, a 29 de julho.
Nessa prova, seu amigo Williamson fazia sua 2° corrida na F1, a bordo também de um March 731 ( só que este pela equipe oficial, a STP March F1); e numa macabra coincidência, na 13°volta,pilotando o STP March n°13, sofre um grave acidente;
O March bate, vira de lado e se incendeia;Purley que vinha logo atrás, toma a atitude que o transformaria no simbolo da amizade,humanismo e coragem: para seu carro, atravessa a pista correndo para resgatar o amigo dos restos em chamas;
Diante dos atônitos e incompetentes fiscais holandeses,Purley tenta virar o March sozinho,com o fogo queimando suas luvas,ouvindo os gritos de socorro de Williamson;durante 8 minutos, Purley tenta de tudo para salvar o amigo, mas a incompetência dos fiscais impede seus esforços;Desolado,Purley caminha de um lado para outro,uma cena que a meu ver, é a mais triste de toda a história da F1.


Video do acidente de Williamson e a tentativa de Purley.

Na maior demostração de perversidade já vista na F1, o corpo de Roger permaneceu nos destroços do March até o fim da prova,provocando uma visão macabra a cada volta para os pilotos que continuaram a corrida;menos para Purley. Ele se retirou em respeito ao amigo querido que tentou salvar, mesmo pondo a sua própria vida em perigo.
Purley abandonou a F1 na sua temporada de estreia,retornando somente em 1977;
Sofreria um gravissimo acidente nesse retorno,nos treinos do GP da Inglaterra:fraturou as pernas,pelvis e costelas, devido a brutal desaceleração ( de 173 Km/h a 0 em 66 centímetros!),após bater em um muro; foi exposto a 179.8 G (a força da gravidade) e sobreviveu!
Mas Purley deixaria este mundo em 1985,numa competição aérea, pilotando um biplano Ptis Special de acrobacia, sobre o mar da região onde nasceu;
Purley assim teve o destino de muitos heróis ingleses como ele,que partiram sobre o mar durante a Batalha da Inglaterra na 2° Guerra Mundial


                David Purley : para quem uma vida e amizade valiam mais que os milhões dos patrocinadores de corridas

domingo, 31 de julho de 2011

Ignazio Giunti

Ele é o terceiro do trio de grandes pilotos italianos do final dos anos 60 que pereceram de modo trágico, antes de alcançarem a glória,seu nome: Ignazio Giunti.
Ignazio Giunti nasceu em Roma, em 30 de agosto de 1940;Seus pais,Pietro e Gabriella Giunti, tinham origem nobre, eram ricos e donos de uma vasta rede hoteleira na Calábria.
Isso proporcionou uma educação melhor e uma vida tranquila a Ignazio, que poderia ter sido um bem sucedido empresário da hotelaria,mas ele havia se apaixonado por outro mundo, o das corridas de automóveis.


                                                                 
                                                                      Ignazio Giunti


Começou a competir,escondido dos pais, aos 20 anos de idade, com uma Alfa Romeo Giulia TI alugada,chegando em 3° na sua classe logo na prova de estréia.
Competiu nas provas de turismo a bordo de BMW 700, Fiat Abarth 850 C,mas o carro de turismo que mais alegria lhe deu foi a Alfa Romeo GTA; com ela ganhou o titulo de "Rei de Vallenunga", o mítico autodrómo romano (que hoje leva seu nome).


                                                    
                                                     Giunti e o GTA em Vallenunga,1967


Em 1966, Giunti começa a competir em provas de protótipos, das quais se tornaria especialista, a exemplo de seus compatriotas Bandini e Scarfiotti.
LeMans, Sebring,Vallenunga,Targa Florio,Daytona:nenhuma guardava segredos que Giunti não sabia; 3° em LeMans 1968, fazia uma união quase espiritual com sua Alfa Romeo T33.


                                                             
                                          Giunti e o Alfa Romeo T33 em Daytona 1969


Em 1969, começa a competir pela casa maior italiana, a Ferrari; e com a mítica 512S, venceu Targa Florio e Sebring em 1970, foi 2° nos 1000 km de Monza,4° no 1000 km de Spa e vencedor das 9 hs de Kyalami na África do Sul, já a bordo da nova 512M




                                                Giunti e a Ferrari 512 em Daytona 1970


                                                                    
                                        Giunti e a Ferrari 512 LM em Nurburgring Nordschife 1970


Seu talento a bordo dos protótipos do cavallino rampante logo o fazem pilotar para a fábrica de Maranello também na F-1, onde fez apenas 4 corridas ainda em 1970, mas como uma estréia arrebatadora em Spa,na Bélgica: 4°lugar.


                                                                  
                                       Giunti e a Ferrari 312 B V-12 de F1 em Spa 1970


Vem o ano de 1971, e com ele muitas esperanças para Giunti, que se firmava como grande piloto;para a Itália, era a esperança de um novo herói,após as partidas trágicas de Lorenzo Bandini e Ludovico Scarfiotti.A prova de abertura do calendário de protótipos era os 1000 km de Buenos Aires e Giunti era favorito, com sua Ferrari 312 PB.


                  
            Giunti e a Ferrari 312 PB em Buenos Aires, instantes antes de seu trágico destino.


A Ferrari havia inscrito a 312 PB, revezando a pilotagem entre Giunti e seu compatriota, Arturo Merzario;Com Giunti ao volante, a Ferrari estava na frente do mítico Porsche 917 K,pilotado pelo mexicano Pedro Rodriguez. Giunti decide abrir vantagem em rítimo de volta de qualificação antes de ir para os boxes,cumprir o revezamento,e na 36° volta, ocorre a tragédia;
O Matra-Simca MS 660 de Jean Pierre Beltoise fica sem gasolina na saida da curva Horquilla, a ultima antes da entrada dos boxes;O Matra para do lado esquerdo da pista,e como a entrada era do lado direito,Beltoise decide fazer uma das manobras mais imbecis da história: atravessar a pista empurrando seu carro;Ignorando o apelo dos fiscais de pista,que agitavam freneticamente suas bandeiras amarelas, o francês começa sua burrice e então, apontam na curva duas Ferraris: a 512 M pilotada pelo inglês Mike Parkes e Giunti em sua 312 PB.
Parkes,pelo lado interno da curva, visualiza o Matra em cima e consegue desviar por milimetros;Giunti não tem a mesma sorte: a 312 PB se choca violentamente contra a traseira do Matra e explode;Giunti é retirado do monte de aço retorcido em chamas que outrora era uma Ferrari, com 70% do corpo queimado; Morre ao dar entrada no Hospital Central de Buenos Aires. Beltoise foi considerado culpado pela sua morte, e a justiça argentina o baniu de competições naquele pais, e num espaço de 4 anos, a Itália chora a morte de seus 3 grandes pilotos, abrindo uma ferida e criando um trauma que nunca foi superado. A Águia Asteca, alusão ao seu capacete, já não voava mais.


                                            
                                           a Águia Asteca pintada no capacete de Giunti


                       
                           Video mostrando a manobra estúpida de Beltoise e a morte de Giunti






                                              O acidente fatal de Giunti visto de outro ângulo

sábado, 25 de junho de 2011

Ludovico Scarfiotti

Se no post anterior relembramos um pouco de Lorenzo Bandini,natural que o próximo fosse sobre um grande amigo seu, compatriota,companheiro de Ferrari e igualmente talentoso : Ludovico Scarfiotti.
Scarfiotti nasceu em 18 de outubro de 1933 em Turin, o centro automotivo da Itália;desde jovem esteve ligado aos automóveis; Seu avô foi um dos nove membros fundadores da FIAT e presidente da mesma;
                                                                 Ludovico Scarfiotti

Scarfiotti era membro da triade de pilotos italianos extremamente talentosos e com finais trágicos: (Lorenzo Bandini-Ignazio Giunti-Ludovico Scarfiotti)
Ganha projeção nas pistas no ínicio dos anos 60;Chega em 3° nos 1000 kms de Paris em 1963 e junto com seu amigo e parceiro Bandini vence as 24 Hrs de LeMans do mesmo ano, a bordo de uma Ferrari 250 LM,escrevendo seu nome como um grande especialista em provas de longa duração;
Scarfiotti a bordo da Ferrari 250 LM em LeMans 1963

Em 1965 vence a dificílima 1000 km de Nuburgring, a bordo de uma Ferrari 330 P2, em parceria com John Surtess;Scarfiotti se torna o piloto n°1 da Ferrari em provas de protótipos em 1966; LeMans,Targa Florio,Nuburgring,Spa eram simples passeios matinais para Ludovico.
Em 1965 John Surtess deixara a Ferrari, e Scarfiotti o substituiria também na F-1;
Correu 12 GPs e venceu uma prova, mas essa valeria por um campeonato, o GP da Itália em 1966. Milhares de italianos correram para saudar seu herói; após 15 anos um italiano vencia em sua pátria e a bordo de um carro italiano,o mais italiano de todos: uma Ferrari;
Em 1967, Scarfiotti sofreria um duro golpe,a morte de seu amigo Lorenzo Bandini em Mônaco;
Scarfiotti a bordo da Ferrari 312 de F1 em 1966

Scarfiotti e a Ferrari 330 P4 em LeMans 1967

A tragédia que abatera seu amigo o alcancaria um ano depois nos Alpes alemães; Durante uma prova de hillclimbing em Berchtesgaden, Alemanha, Scarfiotti, pilotando um Porsche 910 roda em uma curva, bate e capota; seu corpo é lancado a 15 jardas de distancia;Morre na ambulância, em decorrência de inumeras fraturas; analises posteriores mostram que os freios do Porsche falharam e que Scarfiotti tentou freiá-lo por 55 metros antes de se chocar com as árvores; E assim,no espaço de um ano a Itália perdia seu dois grandes heróis. um duro golpe do qual jamais se recuperou...

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Lorenzo Bandini

Já se vão 57 anos desde o último italiano campeão na F-1 (Ascari em 1953, com uma Ferrari);Apesar de produzir os mais desejados e vencedores carros de competição, a Itália não conta com um representante a altura;Talvez grande parte disso, deve-se a perda trágica de uma de suas maiores esperanças : Lorenzo Bandini.

                                  Bandini a bordo de sua Ferrari



Lorenzo nasceu em Barce, na Cirenaica, Líbia, em 1935,quando essa era uma colônia italiana, anexada pelo "Duce" Mussolini,aos 4 anos de idade, sua familia muda-se para Firenze; Lorenzo sofre um duro golpe aos 15 anos,a morte de seu pai; com isso,Bandini se muda para Milano e lá se emprega de aprendiz de mecânico em uma oficina de carros e motos de competição da familia Freddi;(Isso lhe valeria um conhecimento excepcional e o tornaria um exímio acertador de carros).
Começa a competir em 1957, a bordo de um Fiat 1100; ainda em 1957, vence a Mille Miglia,na sua classe, com uma Lancia Appia Zagatto; Daí para a Fórmula Jr,(acesso para a F1 na época) foi um "piccolo" salto, e em 1960 sagra-se campeão mundial da categoria.No ano seguinte,estréia na F1, a bordo de um Cooper-Maserati T53, da Scuderia Centro Sud;

                              
                            Bandini no CooperT53-Maserati, em 1961

Mas em 1961,uma tragédia mudaria seu destino; Wolfang Von Trips, o promissor alemão da Ferrari, (incrível a semelhança física dele com um outro alemão vencedor na Ferrari décadas depois: Michael Schumacher)morre em um acidente no GP da Itália, em Monza,penultima prova do mundial;
Com isso, Enzo Ferrari,sem um segundo piloto (o campeão Phil Hill era o 1°),decide que apostaria em Lorenzo; Um piloto italiano em um carro italiano novamente com chances de ser campeão mundial.Em 1962,Bandini estreia a bordo da Ferrari 156 de n° 2; em 1963, em parceria com outro italiano,Ludovico Scarfiotti, vence as 24 Horas de Le Mans, a bordo de uma Ferrari Dino (Bandini se tornaria um piloto vencedor em provas dessa categoria,longa duração,vencendo a Targa Florio em 1965, e as 24 Horas de Daytona em 1967)
                    Bandini chegando a Le Mans 1963 em um Peugeot 404

Em 1963, Bandini se casa com Margherita Freddi;a jovem, que observara anos antes o jovem Lorenzo,coberto de graxa, entre os carros na oficina, que era de seu pai..Se mudam para Maranello, sede da Ferrari; em 1964, vem sua 1°(e única) vitória em um GP de F-1, na Áustria;1965 e 1966 não são boas temporadas para Bandini,que vê 1967 começar com uma esperança: a nova Ferrari 312; um carro finalmente competitivo, capaz de bater as então insuperáveis Lotus 49;

                                 
                                   Bandini e a Ferrari 312 1967

Chega o GP de Mônaco, segunda prova do calendário, em 10 de maio; Bandini faz dupla na Ferrari com Cris Amon,e enfim é o 1° piloto da casa de Maranello; é uma corrida extremamente longa, a Ferrari n°18 está em segundo, atrás de Dennis Hulme e sua Brabham, e então vem a volta 82;
Bandini sai da Chincane do Porto (onde hoje é a saída o Tunnel do Hotel), a Ferrari derrapa,bate na proteção de fardos de feno (sim, feno, como numa fazenda!) e explode; Bandini fica preso as ferragens;os fiscais despreparados o arrancam do carro sem cuidados,apagam o fogo de seu corpo com extintores e então ocorre uma segunda explosão; Bandini tem 70% de seu corpo queimado,fraturas em 10 partes de suas pernas; é levado ao hospital de Lyon, especializado em queimaduras,é atendido por médicos vindos da Inglaterra,  mas não resiste e falece, após lutar por 3 dias; A Itália sofre um duro golpe; seu idolo maior está morto.


                               A Ferrari de Bandini em chamas


                             Vídeo do acidente fatal de Bandini

Algo inédito para a época ocorreu : 100 mil pessoas foram as ruas de Reggiolo, Itália para acompanhar o cortejo fúnebre de seu herói nacional;Enzo Ferrari,Il Comendatore, o homem com fama de ter o coração duro,chorou sua perda.Hoje, passados 47 anos,poucos ouviram falar do último italiano voador que pilotou uma Ferrari de F1...

                              
                   Jornais da época com a notícia : Bandini poderia ser salvo